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Alice, Não me Escreva Aquela Carta de Amor

A cada teu olhar
Que não me encontra
Na esquina,
Na banca de jornais,
Na padaria,
Na madrugada,
Na tua frente, por detrás da fumaça do café,
No sofá, a te fazer cafuné,
Na tua cama, por debaixo de ti,
Mais e mais
Minha imagem se apaga em meu espelho.
 
A cada chamado da tua voz,
Que não recebe a resposta da minha presença,
Que só tem o eco da minha distância,
Dos meus confins,
Mais e mais
A música se desagrada de mim.
Meus LPs aterram e terraplanam seus sulcos,
Suas curvas de nível,
Minhas fitas cassetes recuperam suas virgindades.
 
A cada viagem que deixo de fazer
À sua toca do Coelho,
Ao seu Mundo das Maravilhas
(confesso : tenho guardadas todas as passagens que me enviaste)
Mais e mais
Meu sorriso de gato 
Se desvanece no Céu.

Comentários

  1. Sempre bom tê-lo por aqui.
    Abraçaço!

    ResponderExcluir
  2. Também gostei.
    Agradeçamos à vodka-tônica.

    ResponderExcluir
  3. O meu problema é que Alice retornou das cinzas, em um momento de poesia sem Alice..

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Problema? Retornou? E desde quando elas, as Alices, vão verdadeiramente embora?

      Excluir
    2. Nesse fim de semana, provavelmente, iremos para a casa da sogra (melhor, pelo menos, do que ir para a casa do caralho). De qualquer forma, ainda terei que me abster do sacrossanto álcool durante mais duas semanas, devido a uma medicação que estou tomando.
      Mas, sim, marcaremos em breve outra consulta no Bar da Eva. Enquanto isso, vá desfrutando de Alice.
      Abraço.

      Excluir

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