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Mostrando postagens de setembro, 2014

Que Nome Dar a Ela?

Essa, eu escrevi há uns 10 anos e até hoje não consegui lhe dar um título que me agradasse. Acho que é filha tão dileta que nenhum nome está à sua altura (SEM TÍTULO)  Vai-se mais um dia embora,  Derrama-se outro entardecer.  É domingo : a tristeza foi almoçar fora.  Mas não tarda em aparecer.  Pra me deixar cabisbaixo,  Pra me tornar um neném,  Fralda suja, todo alquebrado  Sem colo pra me encolher.  E eu disfarço minha casa  (Quem sabe ela passe sem bater)  Com música, gente e risada  Pra ela não me reconhecer.  É outro dia que se acaba,  Desponta outro entardecer.  A tristeza foi às compras no shopping,  Mas logo há de aparecer.  E vem com fome danada,  Vem pra filar meu café,  Meu leite, meu bolo embolorado  Confiada, vai ligar a TV.  E eu pinto minha fachada  (Azuis, verdes, salmões...)  Com cores que ela não quer v...

Todo Castigo Pra Corno É Pouco (2)

Hoje, o troféu boi zebu vai para o compositor Peninha e sua canção Sonhos . A música é boa, a letra muito bem escrita, com umas rimas bem legais e inspiradas. É a história do cara que começa um relacionamento meio que descompromissado e vai se envolvendo cada vez mais, o cara que subestima o poder da buceta e, quando dá por si, está de quatro pela donzela. De quatro, com cabresto, rédeas, arreio etc. E quando o sujeito está no auge da paixão, da submissão e da entrega, vem o óbvio pé na bunda : "Quando a canção se fez mais forte e mais sentida/Quando a poesia fez folia em minha vida/Você veio me contar dessa paixão inesperada /Por outra pessoa" Até ai, normal. O duro é atitude do corno frente à galhada : "Mas não tem revolta não/Eu só quero que você se encontre..."  Como assim, não tem revolta não? Claro que tem, ora porra. E o que é isso, então, de desejar felicidade para a bisca? O corno há de ser manso, isso é ponto pacífico, mas daí a desejar boa fortu...

Boneco Vodu do Azarão

A nuvem negra que me acompanha desde o berço feito um zeppelin, de uns tempos para cá, resolveu fazer mais que apenas sombra à minha imensa cabeça. Resolveu ligar seu esmeril, derramar suas faíscas, arremessar seus certeiros raios de Zeus. Resolveu ribombar sobre mim como os batuques do Olodoum - que é castigo muito maior que os raios de Zeus, ou que qualquer outro jamais imaginado e infligido pelos deuses a um mortal. O mar não tá pra peixe. Ah, um urubu pousou na minha sorte... De abril para cá, é uma peste atrás da outra.  Primeiro foi uma puta duma gripe, que se não era a suína, no mínimo, era equina. Cavalar, mesmo. Temperaturas próximas às do Saara (durante o dia, claro) durante quase uma semana. E dá-lhe dipirona, e dá-lhe anti-inflamatório, e, o pior, dá-lhe cerveja sem álcool. Passada a gripe, o seu rescaldo : mais quase um mês de sinusite. Junto à sinusite e às temperaturas mais amenas de maio/junho, uma dor aguda começou a se manifestar em meu penúltimo molar do...

Dialética da Tristeza

Que a tristeza genuína não é causada por fatores externos, ambientais - muitos dos povos mais miseráveis do mundo são também os declaradamente mais felizes. Que essa é a tristeza ocasional, sazonal, provocada por um revés ou outro da vida, é tristeza que dá e que passa, nada que resista a uma roupa nova, um carro novo, um celular novo, a uma drágea de tarja preta. Que essa é a tristeza canastrona, atriz medíocre da personagem grandiosa que interpreta, mimética, de imitação. Feito mulher que tinge o cabelo de loiro - mas que não se torna efetivamente loira -, feito o cara que toma viagra - mas que não se torna efetivamente viril. Que a tristeza autêntica é perene - não é curável, não é doença -, é presente (de grego) dado pelas Musas logo ao nascimento. Que é a tristeza que forjará os poetas. Que o mundo precisa dos poetas. Que os deuses e as Musas precisam dos poetas; mais do que o poeta, deles. Que essa é a tristeza que polirá à perfeição o espelho em que as Musas se contempl...

Como Pedir Uma Cerveja ao Redor do Mundo

Lembro-me de uma professora de inglês, uma entre tantas que falharam em fazer o impossível, ou seja, ensinar-me os rudimentos do idioma do Tio Sam, a dizer do que fundamentalmente teríamos que saber para não passarmos fome, não nos perdermos e não passarmos por mal-educados em um país estrangeiro. Saber dizer, com licença, por favor, obrigado, desculpas (aí é que você vai parecer turista mesmo, ou alguém já viu um americano ou, pior, um inglês tão educado assim?). Saber pedir para ir à rua tal, ao museu tal etc. Como fazer um pedido num restaurante ou lanchonete, como solicitar o menu, saber onde ficam os banheiros. E jamais esquecer de portar o passaporte e o nome e endereço do hotel em que está hospedado. Lembro dela ter ensinado até como dizermos o nosso tipo de sangue, remédios a que somos alérgicos, em caso de um desconforto longe de  nossa língua pátria. Do principal, porém, minhas esforçadas e bem-intencionadas professoras de inglês, se esqueceram. Como matar a sede em ...

Barbie - A Religião de Plástico

Se um símbolo tivesse de ser eleito a bem representar os ditos tempos modernos em que vivemos, indubitavelmente, ele seria o plástico. Do grego plastikos - moldável, flexível -, ele literalmente moldou e reconstruiu o mundo a partir da invenção do baquelite (o primeiro de uma vasta família de polímeros), por Leo Baekeland em 1907.

Mimetismos (10)

E você, vai votar em quem, abestado?

Anorexia e Obesidade Mórbida

Preciso de muito pouco: Servem-me as camisas desbotadas e de golas esgarçadas As calças de barras puídas e fundilhos encardidos e zíperes presos por elásticos de dinheiro Os tênis de solas furadas O cabelo sem corte A barba de masmorra, ou de naufrágio. Por outro lado Nada me basta: Não me chegam À sede Todas as vinhas de Baco Ou os tonéis de Jack Daniels. Não me chegam A uma noite bem dormida O Nobel de literatura Ou os grandes lábios de Angelina Jolie.

Decálogo de Xico Sá Para os Jovens Apedeutas do Amor

"Esses moços, pobres moços, Oh, se soubessem o que eu sei..." E se soubessem, então, o que sabe o filósofo greco-cratense Xico Sá? Abaixo, a tábua dos dez mandamentos do macho-jurubeba, ensinamentos recebidos por quem muito já subiu o frio monte Sinai da solidão. 1) A saudade é o genérico do Viagra; 2) O que as mulheres querem de nós? Uma mistura de lenhador e homem sensível ao mesmo tempo; 3) Homem que é homem troca de sexo, mas não troca de time; 4) Homem que é homem não sabe a diferença entre estria e celulite; 5) Da costela de Clint Eastwood, Deus fez o macho-jurubeba; da costela de David Beckham, Deus fez o metrossexual; 6) Só é possível filosofar em parachoquês : um homem sem chifres é um animal desprotegido (genial, Xico, genial!) ; 7) Receita para cavalheiros aflitos : quando a vida dói, drinque caubói; 8) O macho brasileiro hoje é um macunaEmo : preguiçoso e chorão; 9) Não há canalha maior e mais nocivo do que o homem fofo, digo, o falso fofo; ...

Uma Fêmea Para Alvin

Estava eu em uma pet shop , a aguardar na fila para pagar pela areia sanitária de minhas gatas. À minha frente, a jogar conversa fora, a atrasar meu sábado, estavam Alvin, um cãozinho maltês, e sua dona; melhor dizendo, sua mãe, dado o exarcebo de mimos que dispensava ao seu filhotinho, dadas as incríveis semelhanças de semblante e de cabelo entre os dois. Alvin confortavelmente instalado no colo de sua mãe e esta a dar recomendações ao dono da loja de como deveriam proceder no banho e na tosa de seu tchutchuquinho ( sic ). - Não precisa passar perfume nem talquinho, que Alvin tem um pouco de alergia. Mas pode usar xampu, condicionador e reparador de pontas. Reparador de pontas? Pããããããta que o pariu!!! Reparador de pontas para cabelo de gente, eu já acho o cúmulo da futilidade, da falta do que fazer. O cara, pacientemente, anotou as recomendações da zelosa genitora e disse que quem iria gostar era a fulana de tal, a pessoa que daria banho em Alvin, pois era também uma feliz...

É a Jumentovia! É a Faixa Exclusiva de Burrestres!

Você os vê aos montes por aí, a infestar as ruas, as praças, o passeio público, o sábado. Aqueles débeis mentais, aqueles retardados que andam alheios ao mundo circundante, presos, hipnotizados pelas telas de seus telefones celulares, a viver numa limitadíssima e patética matrix. Eles vão andando e tropeçando em qualquer coisa em seus caminhos que tenha altura maior que um chiclete pisado na calçada, trombando com postes, placas de trânsito, árvores, colidindo com outros transeuntes. E se você nunca viu um é porque também está a olhar o tempo todo para o seu celular, ou seja, também é um deles. É o jumento digital. O jegue tecnológico. Quando um burro é atrelado a uma carroça, para que ele unicamente faça o seu trabalho de besta de carga, sem se distrair com nada ao redor, colocam-lhe uma espécie de tapa-olhos nas laterais de sua visão, para forçá-lo a olhar apenas à frente, são os antolhos. O telefone celular, smartphone ou qualquer outro nome que se dê a essas estrovengas sã...

A Tristeza do Camaleão Albino

Perdi as minhas reais habilidades Ou apenas o gosto pelas cores? (Que nada mais são que ilusões Que mentiras pregadas pela luz). Uma bala de kryptonita Atingiu-me mesmo o peito Ou apenas desisti da capa Da máscara Do fingimento?

Todo Castigo Pra Corno é Pouco

Ele não consta do, mas deveria. O corno, do Dicionário do Folclore Brasileiro, do Câmara Cascudo. O corno é a figura folclórica mais representativa do Brasil, por sua abrangência, por seu caráter democrático e irrestrito. Ao contrário dos outros entes de nosso esquecido imaginário popular, o corno não se limita a essa ou a aquela região, como, a exemplos, o Boi-Tatá, da região Norte, ou o Negrinho do Pastoreio, dos pampas gaúchos. O corno pulula por todo o território nacional. E também não necessita de condições especiais e cabalísticas, não tem que fazer lua cheia para o corno aparecer, não tem que ser o sétimo filho homem nascido em ninhada de seis filhas mulheres, nada disso. Seja dia ou noite, faça sol ou chuva, frio ou calor, seja nos cerrados capoeirões e brenhas ou nos grandes centros urbanos, o corno está lá. E ele pode inclusive ser você. E geralmente o é. O corno é patrimônio cultural da nação de Pindorama! Tombado como patrimônio cultural imaterial, ele deveria ser. De noss...

Padre Recebe Ameaças do Demo por SMS

Oficial de Justiça dos Céus e a portar ordem de despejo assinada pelo próprio Todo-Poderoso, o padre polonês Marian Rajchel bem que tentou desalojar o capeta das carnes tenras e das entranhas suculentas e pulsantes de uma jovem adolescente. Mas falhou. Não conseguiu executar a reintegração de posse da adolescente ao rebanho do Senhor. Não bastasse a derrota vexaminosa do Bem para o Mal, o capeta resolveu ir à forra contra o padre Marian, resolveu retaliar, infernizar (literalmente) a vida do padre que quis acabar com o seu bem-bom. E de que maneira? Possuindo também o corpo do padre? Fazendo o reverendo girar o pescoço em 360º e golfar gêiseres de vômito feito a menina do exorcista? Dando uma de íncubo e enfiando o dedo no cu do padre? Fantasiando-se de polteirgeist e fazendo voar pela nave da igreja todos os objetos sagrados do altar, o ostensório, o turíbilo, a caldeirinha e o aspersório, o cálice e as galhetas? Nada disso. Deixe de preconceitos e de estereótipos, herege retró...

Laranja Mecânica

Antes Por através de minha grades Olhava a cidade escura De prédios e janelas iluminadas Bioluminescentes. Apertava-me o peito Não poder me esgueirar por suas ruas Não poder me equilibrar Voar bêbado por seus abismos Por suas fossas abissais. Hoje Ainda olho Quando me lembro  A cidade que já esqueceu meu nome E as grades Continuam ali Mas tão somente por preguiça De que alguém as remova. Hoje As grades continuam ali Mas nem se fazem mais necessárias.

Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa...(25)

É Tom. É Chico. É a primeira parceria dos dois, de 1968. É Retrato em Branco e Preto. É Tom & Chico em sua forma mais pura e destilada, on the rocks . É fossa das mais profundas. Das mais clássicas. Dessas a maltratar o meu coração. Dessas que eu teimo em colecionar. Retrato em Branco e Preto (Tom Jobim/Chico Buarque) Já conheço os passos dessa estrada Sei que não vai dar em nada Seus segredos sei de cor Já conheço as pedras do caminho E sei também que ali sozinho Eu vou ficar, tanto pior O que é que eu posso contra o encanto Desse amor que eu nego tanto Evito tanto E que no entanto Volta sempre a enfeitiçar Com seus mesmos tristes velhos fatos Que num álbum de retratos Eu teimo em colecionar Lá vou eu de novo como um tolo Procurar o desconsolo Que cansei de conhecer Novos dias tristes, noites claras Versos, cartas, minha cara Ainda volto a lhe escrever Pra lhe dizer que isso é pecado Eu trago o peito tão marcado De lembranças do passado E você sabe a razão Vou colecionar ma...

Satã Dotadão Choca Canadenses

No Brasil, afirmam, cabeça vazia é oficina do capeta. No Canadá, pedestal vazio em praça pública é altar para estátua do capeta. Moradores de Grandview-Woodlands, um bairro de Vancouver, ao passarem por uma pequena praça da região, a caminho de seus trabalhos e de suas escolas, depararam com uma inusitada estátua a ocupar um pedestal que estava vazio há dez anos, desde que a estátua de Cristóvão Colombo que o ocupava foi transferida para outro logradouro. Uma estátua de Satã, o capetão-mor dos quintos dos infernos. De pau duro. Isso mesmo. Na estátua, de autor até então desconhecido, Satã é retratado com uma senhora duma benga, e duríssima. Uma ereção dos infernos. Como não podia deixar de ser, a notícia do capeta pirocudo atraiu curiosos para o local, que aproveitaram para tirar fotos ao lado da jeba envergada do capiroto e postarem nas redes sociais. Porém, o que é alegria e diversão para uns, pode bem ser motivo de consternação e ofensa para outros. Moradores do bairro, i...

Dilma Rousseff, Tão Semiletrada Quanto Lula (Ou : Diga-me Quem Te Governa e Te Direi Quem Tu És)

Não tenho carro. Não dirijo nada que tenha motor. Não tenho nem mesmo carteira de habilitação.  Todos meus deslocamentos - ao trabalho, ao supermercado, à biblioteca, à casa de familiares e amigos, faço-os a pé. E dada a falta de educação do brasileiro em relação à destinação do lixo que produz, encontro de tudo jogado pelas ruas. Até dinheiro, às vezes, eu acho, coisa pouca, um real, dois reais, cinco reais já é acertar na mega-sena das calçadas e das sarjetas. Ontem, achei lixo útil. Em meio a inúmeros formulários, talões de recibos, blocos de segundas vias e outros descartes de escritório, estavam lá um minidicionário Aurélio em perfeitas condições - até encapado com papel contact -, o livro Medicina Alternativa de A a Z - um compêndio de receitas caseiras à base de frutas, legumes e verduras que promete a cura para todos os males, de abcesso a zumbido no ouvido, passando por calo, diarreia, hemorroida e impotência, todas as ziquiziras que afligem à inviável espécie human...