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Mostrando postagens de março, 2009

Sistema Educacional

Parece até a "proposta" curricular do Estado de São Paulo 

Roqueiros de Merda, Isso Sim

Entre 1998 e 2006, frequentei regularmente um bar de rock, o Paulistânia Rock Bar. Dessa data em diante, por motivos alheios à minha vontade e mais fortes que ela, minhas visitas foram se tornando mais esparsas (Durval, desculpe minha ausência mal-educada, e aparentemente ingrata, até) e, hoje, já têm uns seis meses que não vou até lá. Mas é um lugar do qual sinto imensa falta e pelo qual guardo grande carinho. Sabendo da comunidade do Paulistânia no Orkut, resolvi ontem dar uma olhadinha nela. Só para matar a saudade - que só se intensificou -, como quem abre gaveta antiga para cheirar naftalina e olhar fotos de uma antiga namorada. Estavam lá fotos, bandas que tocam no local,várias enquetes e fóruns Os fóruns é que me estarreceram ! O fórum com maior número de participantes é o "o que falta para regularem uma área de fumantes?" Onde os tais "roqueiros" reclamam da fumaça dos cigarros a pairar pelo ambiente. Puta que o Pariu!!!!!!!!! Roqueiro rec...

A (Falta de) Curiosidade Matou o Gato

Quem tem – ou teve – animais de estimação, desses comuns, gatos, cachorros, sabe da curiosidade inerente deles, da bisbilhotice inata desses bichos. Sobretudo em filhotes, sobretudo se forem gatos. Basta uma pessoa fora de seus costumes entrar em seus territórios para ser submetida a uma bateria de escrutínios: cheiradas, arranhadelas, pequenas mordidas, lambidas; até que se dêem por satisfeitos e voltem às suas almofadas. Basta chegar em casa com um embrulho, um pacote, uma caixa na mão e lá estão eles de novo. Cheirando, mordendo, lambendo e tentando abrir a caixa com suas garras e dentes.   Uma vez satisfeitas suas curiosidades, eles abandonam a caixa aberta e retornam a seus afazeres de gatos. Na maioria das vezes saber o conteúdo da caixa de nada lhes vale, o conteúdo não é de seu interesse. Mas ele precisou constatar in loco.   Essa curiosidade natural não é gratuita, nada na natureza o é. É essa curiosidade, aparentemente brincalhona, que irá treinar o filhote,...

O Dragão Na Minha Garagem

Recebi esse texto de um aluno a quem muito prezo. O Dragão Na Minha Garagem Carl Sagan - Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha garagem. Suponhamos que eu lhe faça seriamente essa afirmação. Com certeza você iria querer verificá-la, ver por si mesmo. São inumeráveis as histórias de dragões no decorrer dos séculos, mas não há evidências reais. Que oportunidade! - Mostre-me – você diz. Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de dragão. - Onde está o dragão? – você pergunta - Oh, está ali – respondo, acenando vagamente. – Esqueci de lhe dizer que é um dragão invisível. Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do dragão - Boa idéia – digo eu –, mas esse dragão flutua no ar. Então, você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo invisível. - Boa idéia, mas o fogo invisível é também desprovido de calo...

A Excomunhão da Vítima

Por Miguezim da Princesa, poeta popular paraibano. I Peço à musa do improviso Que me dê inspiração, Ciência e sabedoria, Inteligência e razão, Peço que Deus que me proteja Para falar de uma igreja Que comete aberração. II Pelas fogueiras que arderam No tempo da Inquisição, Pelas mulheres queimadas Sem apelo ou compaixão, Pensava que o Vaticano Tinha mudado de plano, Abolido a excomunhão. III Mas o bispo Dom José, Um homem conservador, Tratou com impiedade A vítima de um estuprador, Massacrada e abusada, Sofrida e violentada, Sem futuro e sem amor. IV Depois que houve o estupro, A menina engravidou. Ela só tem nove anos, A Justiça autorizou Que a criança abortasse Antes que a vida brotasse Um fruto do desamor. V O aborto, já previsto Na nossa legislação, Teve o apoio declarado Do ministro Temporão, Que é médico bom e zeloso, E mostrou ser corajoso Ao enfrentar a questão. VI Além de excomungar O ministro Temporão, Dom José excomungou Da menin...

Ponto De Ebulição

Caminho penosamente, Minhas panturrilhas rangem.   Passadas de, outrora, léguas   Nem meio metro mais abrangem,   O sol me prega no pavimento mal asfaltado. Perco carnes e peso,   Sou cada vez menos leve.   Gradativamente a cabeça é maior fardo,   A cada dia, mais inconsistente   A vida se pinta,   Em lábios de solo rachado de açude seco,   Em caras de cal extinta. Atolo na multidão,   Suas vozes emplastam em mim   Como suor meloso que não arreda.   Quero explodir,   Criar clareira atômica em meu redor:  E não consigo.   Não respiro. Arfo.   Inspiro amoladas facas,   Expiro perfurantes garfos,   O ar só traz debilidade e más notícias.   E menos,   Cada vez menos, suporto as pessoas.

Eu, Robô

Eu sou um eletrodoméstico, daqueles multifuncionais. Realizo a faxina da casa, gerencio a despensa, reponho estoque, ponho a roupa de cama e banho para lavar e as estendo e recolho, alimento as gatas e limpo o resultado disso, atendo aos rapazes dos correios e da companhia de força e luz, rego as plantas, baixo o toldo da sacada fazendo desfeita para o Sol e o ergo acolhendo a Lua, eventualmente pinto umas paredezinhas, reparo alguma instalação elétrica, rejunto um piso de banheiro, mato baratas, pernilongos, formigas e escorpiões, não sou programado para jogar futebol à noite com os amigos nem tampouco para assistir jogos pela TV, compro o gás de cozinha e vou escada acima com o botijão no lombo, preparo a comida, lavo a louça e a tudo guardo, troco lâmpadas e os rolos terminados de papel higiênico, desço com o lixo nos dias do lixeiro passar, checo portas, janelas, torneiras a pingar e desconecto aparelhos elétricos antes de dormir, sou despertador e cafeteira, também. Asseme...