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Mostrando postagens de dezembro, 2009

ANO NOVO

Uma boa entrada de Ano para todos os que passarem por aqui.

Mal Li, E Achei Uma Merda

Dia desses, caiu-me nas mãos a mais nova publicação dos estúdios Maurício de Sousa. A turma da Mônica ficou jovem, pior: teen. A Mônica não é mais dentuça, usou aparelho ortodôntico; o Cebolinha não troca mais o "r" pelo "l", foi ao fonaudiólogo; a Magali vive em dieta; e a coisa por aí segue. Não existem mais a Mônica, o Cebolinha e etc, existem personagens crescidos - espichados no pior de todos os estilos de desenho, o mangá - e que mantiveram os nomes dos antigos. As peculiaridades que davam a identidade a cada um da turma da Mônica foram extirpadas, agora todos são iguais a todos. Cadê a tão propalada diversidade? A conscientização para a aceitação das diferenças? O combate ao preconceito, tão necessário hoje para uma juventude isenta de valores? Maurício de Sousa prefere não enveredar por essas trilhas, torna a todos iguais e pronto, resolvido o problema. Resolvido porra nenhuma. A criança gordinha sempre vai ser o gordo-baleia, o rolha de p...

Divagações Sobre Faraós, Presidentes E Construtores

A última e mais importante obra de um faraó, aquela via qual seria imortalizado e sempre referido, era a sua pirâmide. Quanto maior e opulenta, melhor. O filme "Lula, o filho do Brasil", talvez sua última obra como presidente (assim espero, pelo menos), é a pirâmide de Lula. Grandiosa obra de propaganda que faria corar os Estados totalitários de Stalin e Adolfinho, versão oficial de sua trajetória ao Planalto, imagem pela qual Lula quer ser lembrado. Ninguém podia saber dos segredos das pirâmides, de seus labirintos de túneis e corredores que davam acesso à câmara principal onde eram guardados a múmia do faraó, seus tesouros e segredos; finda a construção, todos os envolvidos, de escravos a engenheiros, eram enterrados juntos com o faraó. Fábio Barreto foi o construtor da pirâmide de Lula, cineasta de "Lula, o filho do Brasil". Um filme desse, por mais rastaquera, envolve grande volume de pesquisa, leitura de arquivos confidenciais, entrevist...

Ela É Quem É A Louca?

Susana Maiolo, 25 anos, franco-suiça, tentou empurrar o Papa. Pena que não conseguiu. Foi declarada internacionalmente desequilibrada pela imprensa. Ser considerada assim, será até vantajoso para ela, há de ter pena mais branda, perdão mais fácil. Mas a declaração imediata da loucura da moça serve (sempre) aos interesses da própria igreja. Admitir que pessoas em pleno juízo sejam capazes de atacar ao Papa, ainda mais em pleno período natalino, começaria a levantar suspeitas sobre a igreja, sem dizer que abriria precedentes para que outros que se consideram em perfeito juízo (e todos se consideram, inclusos os loucos) começassem também a fazê-lo. Um Papa condensa todos os ideais e história da igreja. A igreja católica promoveu genocídios em suas cruzadas, onde mulheres eram varadas por espadas e crianças recém-nascidas eram giradas pelos pés e tinham suas cabeças esmigalhadas contra paredes; a santa igreja queimou, talvez, tanta gente em suas fogueiras quanto Hitler em ...

Pequeno Conto Noturno (8)

Ele checa os molares superiores, todos intactos e firmes, idem com os inferiores, nenhum quebrado ou vacilante. O interior da bochecha, ao contrário, está em panderecos, a mucosa aberta em dois cortes desbeiçados, o sangue tinge os entredentes, mas Rubens gosta de seu gosto doce-ferruginoso, sempre gostou; não cospe o sangue, sorve, não quer desperdiçar tão vital substância. Não há água oxigenada em seu armário de remédios para a assepsia, há vodka em sua geladeira, Rubens enche a boca e faz um bochecho. Dor ardida e excruciante, parece cortar mais que o murro que quase o nocauteou, mas é dor bem-vinda. Se arde é porque está matando os germens, se dói é porque está sarando, sempre ouviu dizer de sua mãe e avós, a cura via dor e sofrimento, purgação, catolicismo aplicado à medicina, Rubens não é católico, mas a dor católica a lhe tomar as bochechas o conforta. Ele mantém a vodka na boca, até a dor ser trocada lentamente pela anestesia, pela dormência que o álcool impõe a...

O Necessário (E Inalcançavel) Vazio

O mais belo e categórico texto jamais escrito seria uma folha em branco; ou uma tela em branco, vá lá, façamos essa concessão. Tal texto exprimiria, com precisão nunca dantes atingida e de forma definitiva, a verdadeira natureza e espírito humanos, o vazio. O átomo tem 99,9% de sua massa concentrada no núcleo, sua região central, e os outros 0,01%, espalhados pela sua eletrosfera; a magra eletrosfera, no entanto, é de 10 mil a 100 mil vezes maior que o núcleo, ou seja, o átomo é puro vazio, o átomo é pura página em branco. Tudo no universo conhecido é composto pela combinação de átomos, logo todo o universo é muito mais um vazio que firme terreno. Nós mesmos somos muito mais vazio que pessoas. O vazio é regra e equilibrante do universo. O vazio não existe para ser preenchido, sim para continuar vazio. Não deve ser preenchido por nada, muito menos, e desgraçadamente, por atividades humanas, sejam elas artísticas ou de qualquer outra índole. É por medo do vazio que o s...

Os Eleitos Da Bala Soft

Hoje, cheguei à conclusão de que eu e toda minha geração, os recém-passados dos 40 anos, fomos uma linhagem do mais duro cerne, pétreos, verdadeiros vikings em comparação com essas gerações atuais de crianças moloides, frouxas e obesas. Essa molecada não aguenta nada, já nascem doentes. Nós suportávamos a tudo, raramente adoecíamos. Nossos brinquedos e brincadeiras detonariam, hoje, um infanticídio generalizado. Todos nossos carrinhos, ou bonecas, no caso das meninas, eram coloridos com tintas à base de chumbo, cádmio e que tais, e eram avidamente mascados e roídos por nós, isso quando esses metais pesados também não se prestavam a corantes de nossas guloseimas. E estamos aqui. Tive o "Forte Apache", toda a sétima cavalaria (incluindo o Rin-tin-tin) e a corja do Touro Sentado eram bonecos feitos de chumbo, o forte era de madeira que facilmente se desfazia em farpas, que viviam a entrar sob nossas unhas, os cantos do forte apache eram fixados por pregos, de ...

Pequeno Conto Noturno (7)

- O que são esses papéis espalhados? - Tem tudo quanto é tipo de papel espalhado por aí - responde Rubens, a olhar para seus pentelhos recobertos da secreção de Laura, resolvendo se vai tomar um banho ou, simplesmente, deixar tudo secar e, depois, esfarelar com os dedos e bater tudo para o chão. - Aquelas em cima da mesa. - São começos de uma carta para um amigo antigo. - Cartas? - Sim, aqueles papéis cheios de palavras, de preferência organizadas em frases, que se põe num envelope, leva-se aos correios e despacha-se. - Sei o que é uma carta, mas quem é que ainda manda cartas hoje em dia? - Eu. -Posso fumar aqui no teu quarto? - Há uma lei antifumo, agora. - Você não tem cara de ser homem que segue leis. - É porque sigo a todas. - E? - Pode fumar. Rubens vai nu até a cozinha - optou por deixar a gosma de Laura secar nele -, volta com uma garrafa de vinho, serve-se primeiro de uma talagada e passa para Laura. - E recebe outras cartas em resposta, desses amigos? ...

Ô Pesquisinha Furada

Meu amigo Nariz me enviou uma notícia sobre um estudo feito com 354 pacientes com câncer terminal, no Instituto do Câncer Dana-Faber, Boston, Massachusetts. Esse estudo concluiu que pessoas com fortes crenças religiosas são a maioria entre as que lutam com mais intensidade contra a morte. Primeiro que não confio em pesquisas, são sempre tendenciosas, ainda mais nos Estados Unidos. Nada impede que a divulgação desse tipo de resultado tenha por intuito arraigar a religião, mantendo o falso puritanismo estadunidense, sem contar que uma pesquisa feita com 300 e poucas pessoas não tem a menor validade estatística. Segundo que a razão dos crentes do cu quente lutarem mais contra a morte, pode vir do fato deles perceberem que não viveram nada do que desejaram, de que se privaram dos pequenos e mundanos prazeres, castrados pela religião, e queiram viver um pouco mais, quem sabe dando algum tipo de reparo ao tempo perdido nas igrejas. Terceiro, eles lutam não porque a religi...

Budista Light

Publicado na Folha de São Paulo, 14/12/2009 Autor: LUIZ FELIPE PONDÉ "O "ASSUNTO Deus" é complicado. Em jantares inteligentes, é mais fácil você confessar que faz sexo com dobermans, prova de que seu gosto ultrapassou formas sexuais conservadoras. Mas, se falar sobre Deus, há risco grave de que não te convidem mais. E aí nunca mais aquela cozinha vietnamita. Melhor se dizer um budista light.Mas a mania que muito religioso tem de achar que tudo na vida se deve a Deus (ou similares) é um saco! Isso fala mais de sua preguiça e medo do que de Deus.Entendo o bode dos ateus com essa gente. Para mim, essa conversa é semelhante ao papo de que você tem câncer porque não resolveu adequadamente seus conteúdos emocionais. Ora bolas, isso quer dizer que, se todo mundo um dia for feliz, ninguém vai ter câncer? Ou que, pior, além de ter câncer, você é um babaca responsável pelo câncer porque não fez terapia? Conheço gente que se diz ateia (e com isso se acha mais inteligente, c...

O Homem Cinza

Fazia tempo que eu conhecia o Homem Cinza. Roupas cinza, Cabelos cinza, barba cinza, Dentes e riso cinza. Humores e amores cinza, Sonhos e frustrações cinza, Andar e gestos cinza. - Por que tantos cinza? - perguntei-lhe um dia. - Não são TANTOS cinza -respondeu-me com cinza voz -, São SÓ cinzas.

BONITO, NÉ?

Hermes, filho de Zeus (pra variar) e da ninfa Maia, deus da fertilidade, protetor dos rebanhos, mensageiro dos deuses, protetor das estradas e viajantes, condutor das almas ao Hades, deus da fortuna, da eloqüência e do comércio, patrono dos ladrões e inventor da lira. Inventor da lira, instrumento que confeccionou a partir das próprias tripas. Informação extraída do dicionário chicobuarqueano: "... um deus sonso e ladrão, fez das tripas a primeira lira, que animou todos sons." Puta que o pariu!!!! Ou isso tudo é bonito a não mais poder, a não mais caber, ou sou eu que estou ficando velho, com a marreta mole. Ou sou eu que, hoje, estou especialmente vulnerável.

Um Deus Sonso E Ladrão...

É o Chico. Dizer mais o quê? Choro Bandido (Edu Lobo / Chico Buarque) Mesmo que os cantores sejam falsos como eu Serão bonitas, não importa São bonitas as canções Mesmo miseráveis os poetas Os seus versos serão bons. Mesmo porque as notas eram surdas Quando um deus sonso e ladrão Fez das tripas a primeira lira Que animou todos os sons E daí nasceram as baladas E os arroubos de bandidos como eu Cantando assim: Você nasceu para mim Você nasceu para mim Mesmo que você feche os ouvidos E as janelas do vestido Minha musa vai cair em tentação Mesmo porque estou falando grego Com sua imaginação Mesmo que você fuja de mim Por labirintos e alçapões Saiba que os poetas como os cegos Podem ver na escuridão. E eis que, menos sábios do que antes Os seus lábios ofegantes Hão de se entregar assim: Me leve até o fim Me leve até o fim Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso São bonitas, não importa São bonitas as canções Mesmo sendo errados os amante...

O Poderoso Rola-Bosta

Eu me criei lendo gibis de super-heróis, consumi-os, contumaz e frequentemente, dos doze aos trinta e cinco anos, depois os fui lendo mais esporadicamente e posso dizer que, hoje, não mais os leio. Curiosamente - ou talvez seja apenas impressão minha -, os quadrinhos foram "amadurecendo" comigo. No início, eram roteiros e desenhos bem simples, argumentos maniqueístas, desenhos em preto e branco. Foram se tornando mais elaborados, tornaram-se graphic novels, argumentos mais complexos, desenhos mais caprichados, escritores ingleses, passaram a ser chamados "quadrinhos de adulto". E pararam por aí, amadureceram, mas não entraram na velhice. Até entraram... mas numa fase de velhos bobos, cinquentões em adolescência tardia, os quadrinhos de hoje são velhos babões. Eu envelheci dignamente, os quadrinhos não me acompanharam. Abandonei-os. Mas sou extremamente grato a eles, guardo a todos em caixas, tenho perto de 2000 exemplares. Quis - e quem não ?...

É A Podridão, Meu Velho

Vozes da Morte Agora, sim! Vamos morrer, reunidos, Tamarindo de minha desventura, Tu, com o envelhecimento da nervura, Eu, com o envelhecimento dos tecidos! Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos! É a podridão, meu velho! E essa futura Ultrafatalidade de ossatura, A que nos acharemos reduzidos! Não morrerão, porém, tuas sementes! E assim, para o Futuro, em diferentes Florestas , vales, selvas, glebas, trilhos, Na multiplicidade dos teus ramos, Pelo muito que em vida nos amamos, Depois da morte inda teremos filhos! (AUGUSTO DOS ANJOS)

Dias De Furia (Contida)

Havia uma pilha de colchões em embalagens plásticas do lado direito e externo à porta principal do hipermercado. Ela estava encostada na pilha, postura largada, deselegante, loira tingida, calça de cós baixo mostrando o ínicio de sua cloaca, overdose de batom, piercing no umbigo, manuseando um telefone celular com a destreza que só os semianalfabetos têm, iluminada por um sol intrasigente. Odeio hipermercados, mulheres deselegantes, loiras biscates, batons pega-moscas, piercing no umbigo, celulares, semianalfabetos e sóis exibicionistas. Abomino. Ela de quatro naquela pilha de colchões, eu a jogando de quatro naquela pilha de colchões. Meter tudo e de uma única tacada, no cu, a palo seco, dar duas ou três bombadas, arrancar o pau pra fora e esguichar nas costas dela, esperar cessar os espamos do gozo, chacoalhar o pau, eliminando as últimas gotas a exemplo da miccção, limpar o pau - da porra e do esgoto - nas nádegas dela, guardá-lo nas calças e a deixar lá, a acomod...

O Pensamento e a Evolução/A Evolução do Pensamento/Ou, ainda, de gafanhotos e louva-a-deuses

Quando se quer dizer da Evolução às pessoas médias, alguns exemplos, alguns paradigmas, são clássicos. Ainda que esses modelos não sejam inteiramente factuais, ainda que sejam mostrados em apenas um aspecto de seus inúmeros, são extremamente úteis didaticamente. Dos meus preferidos, é o dos insetos cujo desenho do corpo assemelha-se a folhas, sobretudo gafanhotos e louva-a-deuses. Ao povaréu - é consenso comum -, parece que tal bichinho, vendo o ambiente que o cercava, resolveu imitá-lo, já sabendo que assim melhor se ocultaria; outros, lamarckistas sem nunca terem ouvido falar de Lamarck, garantem que de tanto viver em contato com aquela folhagem, esses insetos acabaram por adquirir suas “feições”. Como aqueles casais que, depois de anos de convivência, tornam-se um a cara do outro. Será que isso é o tal do “achar sua cara-metade”? Fujamos desse assunto, por ora. Voltemos aos insetos e mais ganharemos. Será que esses lamarckistas intuitivos nunca pensaram o inverso...

Vem Com Fé, Que o Resto É Com Ele

A VOZ DO BAÚ (2)

Silvio Santos cada vez mais abalado com a morte do amigo Lombardi. E preocupado. Com o cu na mão, para ser mais exato. Diz que o Lombardi já chegou no céu e fica cantando: "Silvio Santos vem aí, lá, lá, lá, lá, lá, lá, Silvio Santos vem aí..." No que o capeta retruca lá das profundas: "O Silvio Santos é coisa nossa, o Silvio Santos é coisa nossa, mas que vai, vai, mas que vem, vem, mas que vai, vai..."

A VOZ DO BAÚ

Morreu Lombardi, locutor oficial do Programa Silvio Santos por mais de quatro décadas. Morreu a Voz do Baú. Silvio Santos se diz abalado com a morte do amigo. O motivo do estremecimento de Senor Abravanel, porém, já dizem à boca pequena, não é propriamente o passamento de Lombardi e, sim, as últimas palavras dele. Lombardi, em seu leito de morte, com Sílvio Santos postado a seu lado, teria apontado para o "patrão" e dito antes de seu suspiro derradeiro: "Agora é você, Silvio!!!" Piadas à parte, e elas virão às baciadas, a morte de Lombardi, acredito, não abalará somente a pessoa de Silvio Santos, também o Programa Silvio Santos oscilará à falta da Voz do Baú, e por que não dizer todo o SBT? O livro gráfico "V de vingança", escrito por Alan Moore e ilustrado por David Lloyd (e tragicamente adaptado para o cinema), mostra uma Londres totalitária, sob um regime de controle e vigilância absoluta da população, parecido com o 1984, Orwell....

Esse Nosso Mundo De Formigas

Em o "Cavaleiro das Trevas" - de Frank Miller, 1986, a melhor história de super-herói feita até hoje, passada num futuro de data indeterminada - , os super-heróis foram obrigados a se aposentar por determinação do Decreto Keane, que proibiu a ação dos vigilantes uniformizados. Teve a permissão assegurada, somente o Superman, usado como arma estratégica pelos EUA, foi mantida a Guerra Fria na minissérie; ainda assim o escoteiro-azulão-bundão agia apenas na surdina, não tinha sua existência oficialmente reconhecida. Seria de se supor uma revolta imediata dos super-heróis ante a promulgação de tal decreto, no entanto, houve uma pacifíca aceitação por parte dos fantasiados, o decreto trouxe-lhes, estranhamente, alívio. Estranhamente? Até que não. A humanidade é composta preponderantemente de pessoas pequenas, minúsculas, ridículas, elas são a maioria esmagadora. E esmagadora, aqui, não é figura de linguagem. A choldra ignóbil esmaga mesmo os que não são pequenos...