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Desmascarado

Assim como
Roupas diferentes
(mais formais, mais despojadas)
Em cada ambiente que minha rotina impõe
Eu trajo, 
Rostos cambiáveis,
Identidades alternativas, 
Máscaras defensivas
(mais cordiais, mais humanas)
Também maquio em minha face
(camaleão social a que me obrigam).

Mas contigo
Nunca usei máscaras
(nenhuma das da minha vasta coleção, do meu burlesco camarim).
Tu eras a minha máscara.
A minha identidade secreta mais secreta e protegida.

Agora que te foste
E contigo levaste teu carnaval de Veneza
Até os espelhos da mansão de um vampiro
São mais felizes que os meus.

Agora que te foste
Esfoliaste-me a fundo a face :
Desmascaraste-me.

Comentários

  1. Não, não creio ser possível tal despojamento. Acho mesmo que nossa verdadeira face seja um mosaico, uma colcha de retalhos cerzida com todas as diferentes máscaras das quais nos valemos ao longo da vida.
    Bom, se tem algo que deixa, de fato, alguém desmascarado, desarmado, desprotegido, é mesmo uma boa caganeira.

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  2. Pode ser só um delírio meu, mas todas as vezes que cismei de escrever em versos era eu que estava ali, sem disfarce. Por isso, ao ler seu belo poema fico me perguntando: será que ele está mesmo vivendo isso ou é apenas "liberdade poética"? De qualquer forma, fique bem.

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    Respostas
    1. Como sempre, acho que um pouco das duas coisas, doses suportáveis de ambas.
      E não preciso estar necessariamente me referindo a uma outra pessoa que se foi. Posso estar a dizer de mim mesmo, de um eu antigo, de uma versão melhor que a atual.

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  3. "Agora que te foste
    Esfoliaste-me a fundo a face :
    Desmascaraste-me."

    Bela estrofe.

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