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Tá Lá o Corpo Estendido no Chão

Nenhum talento
Vocação
Nem vontade de ser alguma coisa
 
(Nenhum empenho ou dedicação,
Ainda assim, o cansaço).
 
O mesmo emprego
Há mais de 20 anos,
A mesma impostura,
A mesma figuração nesse teatro de vampiros
 
 (Nenhuma falta-delito no meu prontuário,
Ainda assim, a vergonha, a sensação/constatação de inutilidade).
 
Nenhuma nova paixão
Há mais de 10, 12 anos,
Só conservas em salmoura e em botulismo das antigas,
Feitas em picles de rabanetes
 
(Nenhuma culpa no cartório,
Ainda assim, boneco intranquilo de um museu de cera).
 
Nenhum livro lido
Nos últimos três meses;
Nenhum publicado
Durante a vida inteira
 
(Pressão arterial, triglicérides e colesterol normais,
Ainda assim, a desistência do coração).
 
Tá lá o meu corpo estendido no chão.

Comentários

  1. Olá, Marreta.

    Belo poema, até baixei aqui em pdf para guardar.

    Me identifiquei com o que está escrito, com a monotonia da vida. As vezes também sinto como se não tivesse nenhum talento, vocação ou motivo, sempre sentindo um cansaço para continuar. A vida é assim, monótona, com alguns espasmos de alegria que permitem continuar na semana seguinte a fazer as mesmas coisas.

    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Marreta do Azarão26 de abril de 2021 às 08:25

      Cara, li uns três posts do seu blog e gostei pra caralho. Você tem um texto muito bom. vou ler mais depois. Adicionei o seu blog na lista de blogs aqui do Marreta, na barra lateral.
      O Ozy lê textos meus pro tio dele, você, para o seu pai; que idade ele tem?
      Abraço.

      Excluir
    2. Fico feliz que tenha gostado dos textos. Estou melhorando minha escrita gradativamente, tentando encontrar uma voz própria.

      Meu pai está com 60tão. Ele ri bastante com os textos, semana passada li "o vírus em mim", no dia do lançamento.

      Abraços!!

      Excluir

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