Pular para o conteúdo principal

Mimetismos (27)

Sob o comportado título de "No Dos Outros é Refresco", o meu amigo virtual JB, o monarca do Blogson Crusoe, o Donald Trump do Blog da Solidão Ampliada, que é homem fino e educado demais para ficar escrevendo no cu dos outros, postou e compartilhou com seus 2, 3 (segundo ele) leitores, uma inusitada e curiosa traquinagem da Mãe Natureza : a Peter Pepper, ou, como é conhecida mais popular e chulamente, a pimenta-pênis. Eis a pimenta que JB nos apresentou em seu blog:
E parece que foi até circuncidada. Terá origem judaica, o fálico fruto?
Comentei com JB que tal assunto bem poderia figurar na seção Mimetismos aqui do Marreta, há muito negligenciada. Respondeu-me, JB, que por ser mais do meu "estilo" (e não entendi direito o que ele quis dizer ou insinuar com isso, pois JB veste a pele de um senhor bem-comportado, todo sisudo e austero, mas tenho certeza de que, no íntimo, é um puta dum sacana), ele chegara a pensar em passar o assunto para mim, mas dado o Saara de ideias (como ele gosta de dizer) em que ele se encontra, resolveu postar no Blogson.
Pelo mesmo motivo de JB, por eu andar num Atacama de inspiração, repisarei o assunto aqui no Marreta, sem pedir-lhe prévia autorização.
Pouco terei a acrescentar sobre o que já o disse JB, não ousarei, de forma alguma, entrar no terreno dos trocadilhos com o formato do picante fruto, JB já os usou a todos, mestre imbatível que é nessa senda. Acrescentarei, no entanto, informações que são resultado de algumas dúvidas que tive após ler o texto de JB.
JB nos diz que a pimenta-pênis tem uma classificação de ardência muito alta, 40.000 Scoville. E ponto. E já se sai em novas elocubrações. Que merda é essa de Scoville? Porra, JB, não somos todos nós que temos as suas erudição e ilustração.
Pesquisei. Scoville é uma escala que classifica as pimentas quanto à ardência, quanto à picância, através da medida da concentração da substância capsaicina na pimenta, a responsável pelo ardor. O teste é realizado diluindo um extrato puro da pimenta em água com açúcar até que o ardor não seja mais detectável por paladares humanos e, com base na quantidade de diluições, um valor na escala Scoville é atribuído àquela pimenta.
O padrão usado é : uma xícara de extrato de pimenta que necessite de mil xícaras de água com açúcar para apagar o seu fogo (ou 1ml de extrato para 1 litro de água com açúcar), recebe o valor 1.000 na escala Scoville ; a escala vai de 0 (pimentas que não possuem capsaicina) até 15 milhões (capsaicina pura).
Um mililitro do extrato da pimenta do JB, portanto, necessitaria de 40 litros de água com açúcar para perder a picância, para derrubar a sua paudurescência. Forte pra caralho!
Por isso, o uso da pimenta-pênis é contraindicado para paladares e pregas mais sensíveis, sendo recomendado apenas o seu uso ornamental. A visita entra na sua casa e, ao invés de ver um vaso de begônias, margaridas, orquídeas etc, vê uma plantinha com um monte de rolas dependuradas. 
Acho que eu, em beco sem saída profissional que me vejo, desesperado e desorientado que me encontro na procura de algum escape, vou pensar, talvez, em investir no cultivo da pimenta-pênis para uso decorativo e direcionar toda a publicidade do produto para um cada vez mais crescente público-alvo, a viadada. A pimenta-pênis do horto Azarão terá tudo para se transformar no novo "must" entre a viadada. Não vai ter viado que não quererá um vasinho de pimenta-pênis em casa, para enfeite e também para tira-gosto, para abrir o apetite, se é que vocês me entendem. A pimenta-pênis poderá também atingir um público secundário, um nicho colateral do mercado, as solteironas e as viúvas sem porvir.
Mas, para que um negócio se estabeleça e prospere, é necessário, por parte de quem o gerencia, um conhecimento profundo do produto e, mais ainda, ofertá-lo com variedade, em várias versões. Pesquisando, encontrei outra variedade da pimenta-pênis do JB, ideal, acredito, para os mais afeitos a uma afrobenga.
Pãããããta que o pariu!!! É a pimenta-pênis-kid-bengala! Estoura qualquer Escala Scoville de picância!!!
Aos mais tarimbados, de paladares e de pregas mais calejados, a pimenta-pênis pode, sim, ser destinada a fins alimentícios, consumida na forma de conservas. Nesse caso, contudo, um acompanhamento se faz imprescídivel à apreciação do exótico acepipe, uma guarnição se faz obrigatória à degustação da gourmet iguaria :

Comentários

  1. Mas o mais legal, é falo sério, é que acabei aprendendo sobre a tal escala Scoville.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Cerveja-Feira (20)

A seguir, farei uma relação do número de visualizações diretas que as postagens de cada cerveja-feira anterior a esta, da 1 à 19, tiveram. As visualizações diretas correspondem àquelas em que o sujeito viu escrito "cerveja-feira" em algum lugar, em alguma página de busca e clicou em cima para conferir;  geralmente são pessoas que não são leitoras frequentes do blog, que acabam caindo por aqui de paraquedas.  Explico isto porque os números de leituras de cada postagem a seguir colocados podem estar subfaturados, ou, como se diz em tempos de coronavírus, subnotificados, não estando contabilizadas neles as visualizações indiretas, geralmente feitas por leitores habituais que acessam diretamente o link do nome do blog e não de cada postagem individualmente, e, portanto, impossíveis de serem identificadas. Mas me aterei a eles como único dado confiável que tenho. A eles : Cerveja-feira (1): 55 visualizações; cerveja-feira (2) : 35 visualizações; cerveja-feira(3) : 32 visuali...

Da Inteligência E De Seus Usos (Ou O Paradigma de Roger Moreira)

O indivíduo que possua um QI de 140, 160, ou 180 pontos, tem que, obrigatoriamente, realizar grandes feitos com ele? Tem que, necessariamente, colocar suas habilidades a serviço do resto da humanidade (leia-se, a serviço dos burros) ou dedicá-las às causas consideradas nobres? Não. Óbvio que não. Porra nenhuma que tem. As habilidades são dele, bem como a decisão do uso que dará a elas. E quem não as tem que se foda. O inteligente não tem obrigação alguma de pôr suas pestanas a queimar em prol do bem comum, em prol da melhoria da vida humana. Ele até pode, se quiser. E alguns superdotados até o fazem, e o fizeram. O inteligente, porém, pode muito bem "trabalhar" só para si, pode muito bem usar suas potencialidades para obter, sem muito esforço, uma vida cômoda e aprazível. Ele não tem que curar o câncer, colocar o homem em marte, decifrar buracos negros ou a origem do universo. Ele pode usar a sua inteligência para fazer a merda que quiser.  Ele não recebeu a sua inteligên...