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A Verdadeira Receita do Quibe Árabe

Não há atualmente uma culinária verdadeiramente brasileira, nativa. Se houve algum dia, foi a do índio, provavelmente um cardápio variadíssimo à base de mandioca - Eu saúdo a mandioca, já disse Dilma Rousseff -, peixe, uma fruta aqui e outra ali e uma ou outra caça que era eventualmente abatida.
De resto, toda nossa culinária foi trazida de fora, Europa, África, Ásia, Oriente Médio.
De natureza antropofágica que somos, apossamo-nos, devoramos e incorporamos cada uma delas, absorvemos cada um de seus atributos e qualidades e as modificamos, adaptamo-as aos nossos paladares e também à disponibilidade ou não de alguns de seus ingredientes originais, ou seja, na ausência de uma cultura alimentar própria, especializamo-nos em descaracterizar a cultura alheia e passar a chamá-la de nossa.
A exemplo : falar em lasanha de berinjela para um italiano, para um carcamano das antigas, é lhe dar motivo para que peça sua excomunhão ao Papa Chico. E pizza de banana, então? E de chocolate? O italiano reencarna Mussolini na hora e ordena a sua imediata execução.
A outro exemplo : e dizer a um russo, a um lobo das estepes, do tal estrogonofe brasileiro, com frango e palmito? Uma tropa de cossacos invadirá sua casa e o jogará para apodrecer em algum subterrâneo da Sibéria, para você passar a pão e água - ainda se fosse a pão e vodka...
Uma outra iguaria, essa de origem árabe, que passou e passa por maus bocados nas mãos dos cozinheiros tupiniquins é o quibe. Já vi receitas das mais variadas e estrambólicas, umas substituindo ingredientes, outras adicionando outros e até mesmo quibes vegetarianos, trocando a carne por berinjela ou por "carne" de soja.
Dia desses, no entanto, recebi por e-mail a autêntica e original receita do quibe árabe, a legítima, e aqui a disponibilizo para os leitores do Marreta, embora ela vá especialmente para o meu primo Leitinho, um verdadeiro chef de cuisine (eu prefiro ser um chefe de cuzinho), grande conhecedor e entendido de temperos e especiarias dos quatro cantos do planeta, um homem gourmet.
A receita é de simples execução e o resultado é saborosíssimo. Basta seguir a receita à risca, sem alterar proporções nem ingredientes, é só seguir o passo a passo que não há como errar.

Comentários

  1. Texto legal. Essa piada me lembrou um caso antiquíssimo, ocorrido na empresa onde trabalhava, quando nem fax existia. Um colega sacana fez uma montagem "tesoura e cola" de um telex recebido e um texto igual ao de sua "receita", tirou xerox e levou a cópia para o bam bam bam da área comercial. O sujeito ficou entre puto e desesperado, porque não sabia como traduzir. Detalhe: até onde sei, os aparelhos de telex só possuiam o alfabeto romano ou ocidental.

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