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Que Fossa, Hein, Meu Chapa, Que Fossa... (32)

O cara está lá, tentando apaziguar a alma e os ânimos, tentando aplacar a dor de cotovelo, fazendo compressa de água quente na marca latejante do sapato plataforma nº 36 que a ex lhe cravou na bunda.
O cara põe, então, uma música ambiente - música de elevador -, prepara um chá de cidreira ou camomila e, desgraça das desgraças, concentra-se nas páginas de um livro de autoajuda, do tipo Amar Pode dar Certo etc e tal.
Aí, aproveitando-se do estado meditativo e absorto do cara, valendo-se de sua guarda baixa, o fantasma da ingrata se materializa. Materializa-se na forma de pequenas, corriqueiras, cotidianas e mundanas coisas : um bilhetinho todo azul com os garranchos dela, um fio de cabelo no paletó, um beijo escondido sob as dobras do blusão, o cheiro dela dentro de um livro, ou o anel que ela esqueceu, aquele em que está gravado "só você e eu".
Aí, é foda, meu chapa! Aí, o cara manda o chá de camomila pra puta que o pariu e pega da garrafa. Aí, o cara manda a serenidade e a meditação pras picas. Aí, o chão se abre sob os pés do sujeito e ele se afunda nas Fossas das Marianas da Solidão.
Eu e Você, Sempre
(Jorge Aragão)
Logo, logo assim que puder vou telefonar,
Por enquanto tá doendo,
E quando a saudade quiser me deixar cantar,
Vão saber que andei sofrendo.


E agora longe de mim,
Você possa enfim, ter felicidade,
Nem que faça um tempo ruim,
Não se sinta assim, só pela metade.


Ontem demorei pra dormir tava assim sei lá,
Meio passional por dentro,
Se eu tivesse o dom de fugir pra qualquer lugar,
Ia feito um pé de vento.


Sem pensar no que aconteceu,
Nada nada é meu (nem meu), nem o pensamento,
Por falar em nada que é meu,
Encontrei o anel, que você esqueceu.


Ai foi que o barraco desabou,
Nessa que meu barco se perdeu,
Nele tá gravado só você e eu.


Ontem demorei pra dormir tava assim sei lá,
Meio passional por dentro,
Se eu tivesse o dom de fugir pra qualquer lugar,
Ia feito um pé de vento.


Sem pensar no que aconteceu,
Nada nada é meu (nem meu), nem o pensamento,
Por falar em nada que é meu,
Encontrei o anel, que você esqueceu.


Ai foi que o barraco desabou,
Nessa que meu barco se perdeu,
Nele tá gravado só você e eu. 
Em tempo : lembrei dessa música porque a escutei ontem numa versão gravada pelo grupo de rock gaúcho Nenhum de Nós : ficou uma bosta! No quesito samba clássico, Aragão é imbatível; já o Nenhum de Nós só vale por Camila e mais umas três ou quatro músicas. Nem percam tempo.

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