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Todo Castigo Pra Corno é Pouco (7)

Nenhuma galeria da fama do chifre estaria completa sem ele, Odair José.
Odair José (ou os personagens cantados por ele) é um tipo muito peculiar de corno. É o corno premeditado. O corno que se apaixona sabendo de antemão que irá dividir a mulher com outros. É o corno de puta.
Aí, a tentar pegar o Azarão em redundância, vocês poderão dizer : mas todo corno é de puta, se o cara vestiu o boné de viking é porque a mulher não presta, certo? Errado. Há aqui uma pequena confusão semântica, quiçá epistemológica. A grande maioria de nós foi/é corno de biscate. Biscate e puta não são sinônimos.
Biscate é aquela safada com furor uterino, com calor na bacurinha, à qual uma só rola não basta, gosta de variar de benga, porém, o faz por diversão, por sem-vergonhice nata, por puro diletantismo. A puta o faz profissionalmente. 
Odair José é corno de puta paga. O seu clássico desse tema é a canção Eu vou tirar você desse lugar, mas não é dela que vou tratar, abordarei outra, talvez desconhecida para a grande maioria, Revista Proibida.
Revista Proibida narra a história de um corno abandonado, sozinho, na maior seca, no maior jejum, que num belo dia compra uma "revista proibida, uma revista só para homens". E comprou por comprar, sem pensar em nada, comprou só pra ver, ou seja, para socar uma saudável punhetinha. E qual não foi a surpresa do corno ao folhear as páginas da revista? Toda nua, na beira de uma piscina, estava a sua ex, toda arreganhada, para quem quisesse ver. Acham que o corno ficou revoltado, acham que o chifre doeu mais? Nada disso. Pelo contrário, provocou nele uma saudade antiga, o fez relembrar momentos de ternura vividos com a bisca. Pãããããta que o pariu!!! É o corno melancólico.
Revista Proibida
(Odair José)
Eu comprei uma revista proibida
Uma revista só pra homens
Eu não pensei em nada
Eu só comprei pra ver
Uma revista que falava tanta coisa
Sobre coisas de mulheres
E na primeira página
Eu encontrei você
Eu encontrei você
Eu encontrei você
Eu encontrei você
Uma foto simplesmente toda nua
Deitada a beira da piscina
Seu corpo estava exposto
Pra quem quisesse ver
De repente uma saudade tão antiga
Trouxe de volta o meu passado
Momentos de ternuras
Vividos com você
Momentos com você
Momentos com você
Momentos com você
Momentos com você
Quando você foi embora
Não quis me dizer
Vendo você na revista
Eu começo a entender
Quando você foi embora
Não quis me dizer
Vendo você na revista
Eu começo a entender
Quando você foi embora
Não quis me dizer
Vendo você na revista
Eu começo a entender
Mas, Quando você foi embora
Não quis me dizer
Vendo você na revista
Eu começo a entender.
Odair José, o menestrel da Praça Tiradentes

Comentários

  1. Rapaz, conheço sim. Bela lembrança. Escutei muito essa música em uma fita TDK (lembra?) que meu pai gravou do disco de um amigo dele.
    Eu sou baixinho, feio e narigudo, dizem que eu sirvo só pra dar recado, mas na verdade eu sirvo para tudo, até chifrudo eu sou sem ser casado... e por aí a coisa vai.
    Vai ser a próxima a figurar no Todo Castigo..
    abraço

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  2. pois é, o chifre, com o tempo, pode até cair, mas não cicatriza jamais. E dói mais em dias frios e chuvosos.
    abraço

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