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Composições

Lembro-me :
1º, 2º, 3º ano do primário,
O antigo Grupo.
Em sala de aula
(carteira de madeira maciça, pés de ferro fundido aparafusados ao chão),
A "tia" nos fornecia
Um desenho
Ilustração
Gravura
E nos atarefava
Que escrevêssemos estórias 
Neles inspirados
Ou
Que nos lembrássemos
Das férias
Aniversários
Festas em família
E os narrássemos
Num mínimo de 20 linhas
(com cabeçalho e parágrafos medidos a dois dedos de distância da margem esquerda da folha pautada).

À época,
À tal prática letiva
Chamava-se de "composição".
Mais adiante
(não sei precisar a partir de quando)
A composição virou redação;
Outro tanto depois
(e talvez até hoje, mas não vos garanto)
Virou "produção textual".

Sem nenhuma modéstia,
Outrora,
Fui muito bom em composição,
Bom mesmo,
Bom pra caralho;
Atualmente :  péssimo, uma lástima.

Eximo-me, no entanto,
Autoabsolvo-me :
Há tanto
O mesmo café da manhã
O mesmo trabalho
O mesmo sono mal dormido
O mesmo dia mal-acordado
O mesmo riso forçado
O mesmo pranto represado
A mesma paisagem
O mesmo horizonte
Os mesmos navios-fantasma
A mesma (sobre) vida,
Como escrever
Novas
Diferentes
E belas composições?

Como voltar
A ser merecedor
Da nota 100
E do carimbo
Em roxo
De "parabéns"
Me conferido
Em honraria
Em condecoração
Pela Dona Aparecida
E pela Dona Rute?
(hoje, num dia bom, de sorte, no máximo, rascunho (de)composições).

Comentários

  1. Esse é o meu problema também. Não me lembro de ter tirado 100, mas lembro das carteiras de madeira maçica e dos pés de ferro funddo e da Dona Maria Afra de Oliveira, primeira professora.

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