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Pintura Íntima

Depois de há tanto
E de tantos imaginados reencontros,
Eles se encontraram.

Aconteceu uma escada,
Como no dia da Anunciação.
Mas ela não tropeçou,
Nem nos degraus
Nem nas palavras.

Olharam-se,
Sorriram-se.
Não estando a sós,
Conversaram três ou quatro minutos
De trivialidades
E só.

Abraçaram-se
(e o abraço deles conservava a promessa das mesmas promessas que nunca puderam ser cumpridas)
E tchau.
Até um dia.

Houve revoada
De fogos de artifício pelo ar?
Repique de sinos nos campanários?
Não.
Apenas por dentro dos dois.

Como bem cabe
A um amor não realizado
Sem mais esperança de ser.

Envelhecido
Amadurecido em barris de fracassos
E resignações.

(aquele momento : uma foto em sépia, incubada num triste casulo de âmbar).

Comentários

  1. Muito bom! Às vezes eu me pergunto o quanto tem de autobiográfico em seus poemas, mas não precisa responder.

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  2. Espetacular, Marreta. Esse poema me deu até saudade de escrever.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Marreta do Azarão12 de julho de 2024 às 18:41

      Pois volte. E a publicar, também.

      Excluir
  3. A Marreta do Azarão14 de julho de 2024 às 00:12

    Estou indo conferir

    ResponderExcluir

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