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Petruchio, o Novo Caçula da Família

Não acredito em Deus, essa espécie de CEO da Criação. Nem em pré-determinismo, em que minha vida esteja escrita nas páginas amareladas e craquelentas do empoeirado e mofado livro do Destino. Tampouco acredito no Acaso absoluto, na total aleatoriedade das coisas.

Creio que cada pessoa tenha/gere em torno de si algo semelhante a um campo gravitacional, que atrai certas probabilidades, certas ocorrências e acontecimentos. Aos que tem um campo atrator mais de boas que de más probabilidades, dá-se o nome de sortudo; ao seu desventurado oposto, de azarado.

Uma energia - energia das leis físicas e matemáticas, nada de mistico ou esotérico - que puxa para nós, o que, ou quem, mais queremos ou precisamos. Corrijo-me : que atrai para nós o que, ou quem, mais precisa de nós. Afinal, eu preciso muito, mas muito mesmo, dar uma bela duma pistolada na Scarlett Johansson, e no entanto...

Determinismo ou absolutismo de um deus, acaso ou caos, o fato é que, durante os 16 anos em que convivemos com minhas duas gatas, a Pretinha e a Cleonice (falecida no mês passado), nunca nos apareceu ou nos foi oferecido qualquer outro animalzinho para adoção. Nunca.

Pois, um dia depois da morte da Cleonice, sem nem saber que ela havia nos deixado, nem mesmo que ela estava doente, um professor amigo, ciente do meu apreço por gatos, ofereceu-me um frajolinha para adoção. O bichano entrara no motor de seu carro para escapar do relento e fora resgatado por sua esposa. Cheguei a considerar a questão, mas meu filho, ainda muito triste pela perda da irmã mais velha, declarou que ainda não dava para ele, que ainda era cedo.

Então, um mês depois, na terça-feira da semana passada, 14/11, minha esposa me enviou umas fotos de um gatinho, todo preto e rajado de cinza, que surgira no serviço dela, um local próximo a uma rodovia e adjacente a uma grande mata. Um gatinho bem, bem, bem filhotinho mesmo. Ou fora abandonado, ou desgarrara-se de sua ninhada. Pequenininho de tudo. Mostrei as fotos ao meu filho, e ele, ainda triste, mas já conformado, disse-se pronto para um novo "irmão', disse que, por ele, tudo bem.

O bichinho foi me entregue, ao fim da tarde, por uma colega de trabalho de minha esposa. Minúsculo. Assustado. Esfomeado. Comeu quase que um sachê inteiro daquelas comidas pastosas para filhotes.

É o Petruchio. O atentado da foto abaixo. Parece um morceguinho.



Quer dizer, acho que é o Petruchio. Ele é tão pequeno que fica até difícil assegurar de forma inequívoca qual o seu sexo. A minha esposa e a amiga dela, quem o achou e o acolheu, olharam "as partes" dele e viram duas pequenas bolinhas. Olhei com meus olhos cada vez mais presbiópicos e achei que está mais para uma racha. Mas, enfim, cada qual vê o que mais gosta.

Em dois dias, ele já estava totalmente ambientado e aclimatado ao seu novo lar. A Pandora, nossa cadelinha de um ano e pouco de idade, amou-o de paixão e já o adotou e o recebeu de patas abertas. Petruchio, literalmente, deita e rola sobre ela. Tenta, inclusive, por vezes, mamar nela. E, por vezes, ela permite.


Já a gata Pretinha, órfã da irmã Cleonice, não o hostiliza quando ele tenta alguma aproximação, alguma tentativa de interagir com ela, mas também, até agora, não lhe deu muita atenção, muita moral. Ele se aproxima, a cheira e ela se levanta e vai procurar outro lugar para voltar a dormir. Ignora-o. Que é a especialidade dos gatos. Pretinha tem 16 anos, ficou uma senhorinha ranzinza, sem paciência para crianças chatas. E eu a entendo.

Na quarta-feira próxima, levarei Petruchio para uma vistoria da veterinária. Ver se está tudo certo, as vacinas que ele precisará etc. Ela também confirmará o sexo do bichinho. 

Só faltava eu estar certo e o Petruchio ser uma menina.

Era só o que me faltava, um gato trans!!!!

Pããããããta que o pariu!!!!!

Comentários

  1. Pois então, a Pandora já está castrada, não sei se mesmo estimulada, ela é capaz de produzir leite.
    A Pretinha anda a sentir muita falta da irmã, fica miando pelos cantos da casa, meio amuada, se alimenta cada vez menos, sem contar que tem um câncer já em metástase. Creio que logo teremos mais uma baixa.
    Bom tê-lo de novo por aqui.
    Abraço.

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  2. Petruchio é um belo nome, longa vida ao Petruchio!

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  3. KKKKKKKKKK
    Adorei.
    Petruchio é um ótimo nome. Só de ler me faz rir por conta da novela "O Cravo e a Rosa".
    Nos atualize sobre os próximos capítulos. E com mais fotos!

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