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Praia do Francês

                                                                                                                                              O poema do beco
                                                                                               Que importa a paisagem, a Glória, 
                                                                                                     a baía, a linha do horizonte?
                                                                                                        — O que eu vejo é o beco
                                                                                                                (Manuel Bandeira)
Camarão assado e embalado em saco plástico,
Sardinha na brasa,
Chapéus de palha, viseiras,
Capa impermeável para celulares,
Pau de selfie,
Brincos de pena.


Água de coco,
Chinelo de dedo,
Protetor solar,
Colar de conchinhas,
Apanhador de sonhos,
Cangas e miçangas.
 

Milho verde,
Churros e queijo coalho,
Canecas, bonés e camisas de times,
Caipirinha no coco,
No abacaxi
E cerveja - tudo a preço de zona.
 

Acarajé,
Cocada preta e branca,
Picolé de mangaba, graviola e de cachaça,
Camisetas "lembranças de ...",
Saídas de banho de renda,
Tererê,
Tapioca.
 

Conserva de pimenta,
Manteiga de garrafa,
Garrafas com paisagens de coqueiros, veleiros e pôres-do-sol desenhadas em areias coloridas,
Licor de jenipapo,
Castanha-de-caju,
Tatuagem de henna, de fênix, do Bob Esponja, da Nossa Senhora Aparecida. 


Há quem diga
Que consegue ver verdes mares.
Eu só vejo
Um fúnebre desfile carnavalesco de vendedores ambulantes,
Tristes, peles curtidas pelo sol, sorrisos banguelos de dar vontade de chorar. 


Desfilando um samba-enredo atravessado, disritmado, sem nenhuma originalidade
De nossa patética história às avessas:
Índios vendendo, agora, espelhos e outras quinquilharias
Para os descendentes dos europeus.

Comentários

  1. A Marreta do Azarão15 de julho de 2019 às 12:47

    Você bem sabem o que dizem : conserva de pimenta no cu dos outros...

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  2. Rapaz, essa sacada do índio vendendo para o europeu foi genial.

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