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Chico Buarque, por Mares Nunca Dantes Navegados

Politicamente, muitos o consideram uma lástima - mesmo eu, muitas vezes.
Separemos, porém e sumária e definitivamente, o artista dos defeitos, das eventuais falhas de caráter e dos vícios do homem que o abriga, que é seu hospedeiro.
Mais que isso : permitamos a ele - ao artista - todos os vícios e defeitos morais que ele julgar a que tem direito, ou a todos a que ele julgar que não são defeitos. Não os permitimos a nós mesmos? Mesmo sem sermos artistas? Mesmo sem termos prós a contrabalançarem nossos contras?
Chico Buarque, o artista, foi premiado - muito justamente premiado - com o Prêmio Camões, a maior láurea literária da Língua Portuguesa.
Chico não foi premiado apenas pelos livros que escreveu; sim pelo conjunto da obra : livros, peças teatrais e letras de música. O Troféu Camões reconhece, anualmente, o "escritor cuja obra contribua para a projeção e o reconhecimento da língua portuguesa".
Ouvi Chico dizer por vezes, quando perguntado sobre o processo de escrita de suas belíssimas letras, que, para ele, a música surge primeiro, só depois a letra para vesti-la, nunca o oposto. Conforme a música vai sendo tocada, vai se desenvolvendo, é ela, a música, e não o Chico, isso segundo ele próprio, que vai pedindo pela palavra que vai completá-la, e ele, mero escriba, vai anotando no papel a palavra atraída pela música. A música pede a palavra. E a palavra vem. Vem-lhe. Morro de inveja.
No futebol, é comum dizerem do craque que a bola gosta dele, que ele não precisa se esforçar para pegar a bola, que ela corre por conta própria, guiada por magneto irresistível, direto aos pés dele.
A palavra gosta do Chico. Tem paixão irrefreável por ele. Se aninha, por conta e vontade próprias, nas mãos e no colo do autor.
Defeitos humanos à parte, como não gostar de um cara a quem as palavras adoram?
Parabéns, velho Chico.
em tempo : Chico Buarque foi o 13º autor brasileiro premiado com o Prêmio Camões. Só falta agora algum misto de comunista espírito de porco com numerólogo relacionar o prêmio com o número 13 da legenda do PT. Ver nisso, presságios de uma reascensão de Lula ao poder. Pãããããããta que o pariu!!!

Comentários

  1. Parabéns pelo texto-homenagem. Muito bom, sereno, bom de ler. Gostei particularmente da frase "como não gostar de um cara a quem as palavras adoram?". Na mosca!

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