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Tchau, Stan Lee...

Certa vez, um alemão disse : "Deus está morto". Alarmista e precipitado, esse menino alemão. Deus não estava. Está agora. Hoje, aos 95 anos de idade, morreu Stan Lee, criador do universo Marvel. 
Rezam as lendas do universo da maravilhas que inúmeras são as fontes transformadoras que podem elevar certos agraciados de sua mísera condição de simples humanos e dotá-los de poderes de semideuses. Radiações, mutações, substâncias milagrosas, névoas terrígenas, artefatos místicos, tecnologia extraterrestre, evolução do Homo Sapiens para o Homo Superior etc etc.
Lendas, simples lendas. No universo Marvel, não há lugar para o acidente, para o aleatório, muito menos para a evolução. Darwin não apita nada por lá, é um verdadeiro picareta. Toda a criação, toda a modelagem do barro, passa por uma única mão : Stan Lee.
Stan Lee é o homem por detrás da máscara. Por detrás de todas as máscaras. Ou, ao menos, daquelas que importam. Quarteto Fantástico, Hulk, Homem-Aranha, Demolidor, X-Men, Homem de Ferro, Nick Fury e a Shield, Surfista Prateado, os Vingadores e outros e mais outros. Alguns de seus filhos seguiram o caminho da retidão e da justiça, outros - como acontece em toda família - desvirtuaram os ensinamentos do pai e percorreram o caminho do crime; Stan Lee criou, igualmente, uma legião de vilões. 
Tentei achar na internet a quantidade de filhos de Stan Lee. Não achei. Mas vos asseguro de que são centenas. 
Fazendo uma comparação igualmente elogiosa para ambas as partes, eu digo que Stan Lee foi o Chico Anysio do universo dos super-heróis.
Hoje, Hela, a deusa nórdica da morte, se valendo do subterfúgio canalha de uma pneumonia, levou Stan para o seu lado, para o seu reino sombrio.
Mas me chegaram boatos de fontes fidedignas de que Odin já está a ter com Hela, a lhe passar uma descompostura, e de que já está com Stan Lee sob sua custódia, conduzindo-o, nesse momento, para o dourado Valhala, com as honras e as pompas devidas a um guerreiro tombado em batalha, escoltados por um séquito de valquírias loiras e peitudíssimas.
 
1922 - 2018
Excelsior, meu velho, excelsior!

Comentários

  1. O velho Stan já deve ter montado seu novo estúdio com nomes como Steve Ditko, John Buscema, Jack Kirby, Frank Frazetta e outros deuses...imagina a qualidade das hqs lá. Obrigadão, Stan...

    Cássio - Recife/PE.

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    1. Obrigado, como sempre, você pelo comentário, gostei muito dele, vou pensar num jeito de introduzi-lo no meu texto.

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  2. Que honra, azarão! Vindo de um mestre das palavras e ideias que tanto admiro. Se realmente houver o "outro lado", o Stan deve estar muito bem acompanhado de tanta gente boa que juntos, produziram obras fantásticas (em todos os sentidos do termo...) do lado de cá.

    Cássio - Recife/PE.

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    1. E caso eu não consiga achar um "gancho" para introduzir a sua ideia, garanto que será muito mais pela minha falta de habilidade em fazê-lo do que pela qualidade de seu comentário.

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  3. Bom pra caralho seu texto! As ideias de deus, das máscaras foram ótimas. Só não entendi o "Excelsior", novidade para mim. A proósito, a revista era mesmo Kung Fu (ou Mestre do Kung Fu).

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    1. Stan Lee sempre usava a palavra "excelsior" ao fim de seus pronunciamentos ou artigos escritos; é do latim e significa grandioso, majestoso, incrível, superior. Mas a explicação para a adoção de tal "bordão", deixo a cargo do próprio Stan : “Eu costumava ter várias expressões que eu adicionava nas minhas colunas nos quadrinhos como: ‘Relaxa ai’, ‘Falei demais’, ‘De cara’,” explicou Lee. “E eu vi que a concorrência sempre imitava isso e começava a usar essas expressões. ‘Então’, eu disse, ‘vou pegar uma expressão que eles não vão saber o que significa, e eles não vão saber como escrever isso. E foi assim que eu comecei a usar Excelsior, e nunca mais parei, graças a Deus.”

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