Tenho medo de tocar-te
(mão à tua mão).
Medo de teus olorentos poros
Serem ventosas exatamente complementares aos meus.
Tenho medo de abraçar-te
(braço a braço, perna à perna).
Medo dos teus painosos pêlos
Se encantarem dos meus em persa tapeçaria.
Tenho medo da tua óptica,
Da tua mira olhos-laser vagalumeando em meu peito.
Medo quando tão próxima respiras,
Quando arfas e deslizas, escorrendo do leito.
Mas medo mesmo tenho – medo de verdade – ,
Quando falas,
Quando explicita tuas idéias, quando dizes do teu mundo,
Num sem-fim de combinações e jogos de palavras
Tais e quais aos que eu faria
Caso tivesse coragem de interromper-te
(nunca faço : sou apenas eu falando por uma boca mais bela).
É do que tenho mais medo:
Nossos pensamentos em unidirecional fluxo,
Nossos rios de serotonina em caudalosa confluência.
Dos poros, dos pêlos, do leito,
O paladar, o olfato e o pau logo esquecem.
O cérebro, não!
O cérebro é foda!
(mão à tua mão).
Medo de teus olorentos poros
Serem ventosas exatamente complementares aos meus.
Tenho medo de abraçar-te
(braço a braço, perna à perna).
Medo dos teus painosos pêlos
Se encantarem dos meus em persa tapeçaria.
Tenho medo da tua óptica,
Da tua mira olhos-laser vagalumeando em meu peito.
Medo quando tão próxima respiras,
Quando arfas e deslizas, escorrendo do leito.
Mas medo mesmo tenho – medo de verdade – ,
Quando falas,
Quando explicita tuas idéias, quando dizes do teu mundo,
Num sem-fim de combinações e jogos de palavras
Tais e quais aos que eu faria
Caso tivesse coragem de interromper-te
(nunca faço : sou apenas eu falando por uma boca mais bela).
É do que tenho mais medo:
Nossos pensamentos em unidirecional fluxo,
Nossos rios de serotonina em caudalosa confluência.
Dos poros, dos pêlos, do leito,
O paladar, o olfato e o pau logo esquecem.
O cérebro, não!
O cérebro é foda!
Tem lido pouco ultimamente, hein?
ResponderExcluirBrincadeira...
Obrigado
De novo, a teoria do poeta sórdido, do inigualável Manuel Bandeira. Quando li "“Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
ResponderExcluirPoeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito,
Saí um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma nódoa de lama:
É a vida
O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.
Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens cem por cento e as amadas que envelheceram sem maldade.”, deu um estalo : é isso, eu também posso me arriscar em versos, não é preciso, para fazer poesia, falar de florzinhas, de borboletas, de virgens intocáveis.
Uma provocação : se a J não reclamou ( e até gostou) do pau, acha que vou ligar para a sua estranheza?
Em tempo e pra finalizar : o que destoa, o tênis ou o terno fino?
Falando em meu santo nome em vão?! Ou no diabo? Eu acho que o JB ficou sentido que você botou o pau com tudo no final. Eu tô acostumada, gosto do seu pau mesmo. Mexe não, deixa o pau como tá. -É assim, JB, pode causar alguma estranheza, um desconforto, mas acostuma, por fim você acaba gostando, sentindo uma faltaaa.
Excluir"J"
se você ligasse para a minha estranheza eu ficaria surpreso. O que destoa é o que é incomum em determinado ambiente. pensando bem, meu comentário é que é destoante no seu blog. Quanto à observação da "J", apesar de rolar de rir, mas jamais me acostumaria com a terceira pessoa do presente do indicativo do verbo rolar. Sem chance!
ExcluirNesse caso, nada de estranheza, concordo totalmente com você, Jotabê.
Excluirem tempo : é o destoante que faz a diferença, que dá o tempero, a força (ainda que pouca) pra gente continuar.