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Cerveja, Esse Medicamento é Indicado em Casos de Suspeita de Dengue

Ah, a Ciência... a juramentar nossos instintos mais baixos e louváveis... Ah, a Ciência... a corroborar e santificar nossos vícios mais salutares...
Que a cerveja é inigualável analgésico e lenitivo para dor de corno, dor de cotovelo e demais dores existenciais e da alma, todo mundo sabe e não é de hoje. Não é preciso ser nenhum douto acadêmico. Qualquer analfabeto contemplado com o temido e inevitável chapéu de touro sabe disso. É puro instinto de sobrevivência. Feito o bicho que já nasce sabendo a planta que tem que comer para se curar.
Mas que ela, a virtuosa cerveja, se preste também a aplacar dores mais mundanas e comezinhas, como as musculares, as reumáticas, as de origem inflamatória e as cefaleias, é informação nova. Não surpreende, mas é novidade.
Quem garante é uma equipe de pesquisadores da Universidade de Greenwich, em Londres. Eles afirmam que aumentar o nível de álcool no sangue, até certa concentração, pode levar a um aumento na resistência à dor. Foram analisados 18 estudos anteriores e comprovado que elevar o teor de álcool no sangue em cerca de 0,08% (o equivalente a cerca de duas canecas de cerveja) pode causar uma “pequena elevação do limite da dor” no organismo.
Bom, aí a notícia carece de exatidão. Duas canecas de que tamanho? De que capacidade? Eu tenho canecas de 300 ml, de 500 ml e uma de um litro. Duas de qual? E duas para qualquer pessoa? Como qualquer remédio, a dosagem administrada não dependeria da massa corporal, sexo, idade e outros fatores? Acredito que mais testes se façam necessários e urgentes  para estabelecer uma mais precisa e confiável posologia. Com dosagem de remédio não se brinca. Assim, coloco-me aqui, e desde já, à disposição da equipe da Universidade de Greenwich como abnegado voluntário, minha modesta e desinteressada contribuição para o avanço da ciência e o bem da humanidade.
O Dr. Trevor Thompson, que liderou o estudo, disse ao The Sun: “Nós encontramos evidências sólidas de que o álcool é um analgésico eficaz. Ele pode ser comparado a drogas opioides como a codeína, e o efeito é mais poderoso do que o do paracetamol”.
Pãããããããta que o pariu!!!! Então, a cerveja pode ser receitada também em casos de dengue, nos quais o AAS é contraindicado e substituído pelo paracetamol. E com dupla função terapêutica : alivia a dor e hidrata o sujeito, substitui também o soro fisiológico na veia. E diminui a tensão do doente, o cara não vai ficar angustiado nem reclamando de passar a noite no hospital sendo reidratado. Agora, tô tranquilo. Vem em mim, Aedes! Repelente é o cacete, vasinho com citronela na sacada é a puta que o pariu, vela de andiroba é o raio que o parta! 
Aliás, tenho cá comigo, tudo baseado no mais ortodoxo empirismo, que a cerveja seja também um excelente repelente do Aedes aegypti e/ou que auxilie o organismo, em caso de uma picada, a combater e eliminar o vírus. Explico : moro numa cidade que é empesteada de Aedes, todo começo de ano, uma nova epidemia. Para piorar, leciono em uma escola localizada num dos bairros mais afetados pela praga. Apesar disso, nunca peguei dengue. Minha esposa já a contraiu, vários e vários professores da escola, também; alguns, inclusive, mais de uma vez, tem casos de até três contágios em um único cristão.
Animado que estou pelos resultados dos pesquisadores ingleses, ouso dizer que as propriedades medicinais da cerveja vão além de mitigar as dores da alma e as físicas e de ser potente repelente e auxiliar no tratamento da dengue : a cerveja, constatei nessa minha viagem no feriadão, tem efeito antiemético, ou seja, evita enjoos, náuseas e vômitos. Pros quintos dos infernos, Dramin.
Viajamos para uma pequena cidade mineira encravada na Serra da Mantiqueira e os últimos trinta quilômetros da viagem foram de subida de serra. Estrada estreita e cheia de curvas fechadas, uma atrás da outra, tinha curva dentro da curva. Não deu outra : bateu a cinetose, que é o enjoo causado pelo movimento, mais especificamente pelas aceleração e desaceleração contínuas e repetitivas, no meu filho, acomodado no banco de trás, e na minha esposa, a dirigir. Eu, no banco do carona, a servir de copiloto, um genuíno GPS humano, nada senti, subi a serra ileso e incólume. O motivo : eu vinha me medicando desde a cidade de Campinas, já estava em meu terceiro latão de Crystal. A cerveja forra o estômago, dá um lastro, talvez contribua para a manutenção do líquido no interior dos canais semicirculares do ouvido, responsável pelo nosso equilíbrio.
Só ainda não ficou claro para os pesquisadores britânicos se o álcool reduz a dor porque afeta os receptores cerebrais ou simplesmente porque faz quem está bebendo relaxar. E quem se importa?
Porém, um único cuidado se faz necessário no uso da cerveja como analgésico. Atente para a cerveja que lhe receita o seu médico. Se o filho da puta vier lhe aviando cervejas caras, de grandes laboratórios multinacionais, exerça seu direito de consumidor, exija que ele lhe receite as genéricas, as boas e baratas.
E a seguir, uma vez que o assunto é cerveja, a nova caneca do Azarão, comprada na supracitada viagem.  

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