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Metrópoles e Pequenas Infidelidades

A noite vai esvaziando. 
Tomo-a em doses puras, sem gelo. 
Inútil. 
A noite não me embebeda mais. 
Transcorre tranqüila, no entanto. 
Não há tristeza daquelas densas, 
Irrespiráveis. 
Apenas móbiles de angústias leves 
A balançar e tilintar 
Pequenos e melancólicos sons de bronze. 
Vai amanhecendo a garrafa de rum 
Projetando um nascer do sol âmbar 
Na um dia branca toalha da mesa 
E em minha, outrora, face bela. 
Dispensável arrebol : 
Não pode devolver o viço a nenhum dos dois. 
Vasculho o armário de remédios 
À cata de um paregórico, uma panacéia, 
Para corrigir a azia, 
O incômodo de uma vida confortável 
Que não me deixa arriscar mais nada: 
Todos com prazos de validade vencidos. 
Você dorme 
E eu sonho. 
Dorme a roncos vistos 
E eu sonho à vozes trancafiadas. 
Absorto, em meu pensamento torto, 
Eu tramo. 
Arquiteto metrópoles silenciosas 
E pequenas infidelidades.
"Você não estava procurando a alma humana? É por isso que você continua mudando pessoas e coisas por aí e ao seu redor, a cada noite, a cada noite, a cada noite, a cada noite..."

Comentários

  1. Na verdade isso eu chamo por outro nome.
    "J"

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  2. Realmente não sei o que acho melhor: o poema ou os comentários. Dessa vez vai para o poema.
    A infidelidade. No papel permanece? No gole de seja lá qual for a bebida?

    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Melhor que escutar trio elétrico e outros ruídos atuais.

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    2. Ficou de fogo de rum e ficou com vontade de queimar a rosquinha?
      Rosquinha

      Excluir

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