Pular para o conteúdo principal

Pequeno Conto Noturno (61)

- Oh, pesado amor, Rubens... - diz Joyce, sua personalidade depressiva acordando da anestesia, do efeito opioide do(s) orgasmo(s).
- Na verdade - começa Rubens, voz engrolada pelo rum -, o amor não tem peso - e dá mais uma boa emborcada no rum quente e aguado (que estava forte e gelado quando começou a meter em Joyce) colocado no chão do quarto, ao lado do lado que ele ocupa na cama, mesclando o esquálido álcool ao encorpado bouquet da buceta de Joyce -, na verdade, nada tem peso em si, o peso não é atributo das coisas, nada guarda o peso em si, o peso vem de fora, sempre de fora, o peso não é componente, é resultante, é escolha, ou a falta dela. As coisas, os Substantivos - o fez-se o Verbo que se foda, que o Verbo é puramente desespero de causa - têm átomos, têm massa, que podem se encontrar em maior ou menor estado de agregação, as coisas e os substantivos têm densidade, conteúdo, mas nada disso tem peso. O peso é o produto da gravidade/seriedade, da gravidade/importância, da gravidade/aceleração que aplicamos sobre o Substantivo, seja ele concreto ou abstrato. O peso é a gravidade que imprimimos a algo; o peso do amor, portanto, depende de para qual planeta ele nos abduz.
- Rubens, o que você tá querendo dizer com isso, com essa merda toda? - Joyce, compactando e encaixotando os peitos tamanho 46 num sutiã manequim 42, peitos que, acreditava Rubens, nessa noite, lhe serviriam de cobertores de orelha - Que merda você tá dizendo?
- Oh, pesado amor, Joyce...

Comentários

  1. Gostei tanto, mil vezes melhor que o Amor Líquido, e Bauman que se foda.
    "J"

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Marreta do Azarão8 de maio de 2016 às 19:34

      vou ver se consigo baixar um pdf desse livro.

      Excluir
  2. Nossa, marreta, que merda é essa?
    Esse run que você anda tomando deve ser de quinta categoria, que merda é essa?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Marreta do Azarão8 de maio de 2016 às 19:34

      esse é o problema, eu não tô tomando rum, só a aguada cervejinha.

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Cerveja-Feira (20)

A seguir, farei uma relação do número de visualizações diretas que as postagens de cada cerveja-feira anterior a esta, da 1 à 19, tiveram. As visualizações diretas correspondem àquelas em que o sujeito viu escrito "cerveja-feira" em algum lugar, em alguma página de busca e clicou em cima para conferir;  geralmente são pessoas que não são leitoras frequentes do blog, que acabam caindo por aqui de paraquedas.  Explico isto porque os números de leituras de cada postagem a seguir colocados podem estar subfaturados, ou, como se diz em tempos de coronavírus, subnotificados, não estando contabilizadas neles as visualizações indiretas, geralmente feitas por leitores habituais que acessam diretamente o link do nome do blog e não de cada postagem individualmente, e, portanto, impossíveis de serem identificadas. Mas me aterei a eles como único dado confiável que tenho. A eles : Cerveja-feira (1): 55 visualizações; cerveja-feira (2) : 35 visualizações; cerveja-feira(3) : 32 visuali...

Da Inteligência E De Seus Usos (Ou O Paradigma de Roger Moreira)

O indivíduo que possua um QI de 140, 160, ou 180 pontos, tem que, obrigatoriamente, realizar grandes feitos com ele? Tem que, necessariamente, colocar suas habilidades a serviço do resto da humanidade (leia-se, a serviço dos burros) ou dedicá-las às causas consideradas nobres? Não. Óbvio que não. Porra nenhuma que tem. As habilidades são dele, bem como a decisão do uso que dará a elas. E quem não as tem que se foda. O inteligente não tem obrigação alguma de pôr suas pestanas a queimar em prol do bem comum, em prol da melhoria da vida humana. Ele até pode, se quiser. E alguns superdotados até o fazem, e o fizeram. O inteligente, porém, pode muito bem "trabalhar" só para si, pode muito bem usar suas potencialidades para obter, sem muito esforço, uma vida cômoda e aprazível. Ele não tem que curar o câncer, colocar o homem em marte, decifrar buracos negros ou a origem do universo. Ele pode usar a sua inteligência para fazer a merda que quiser.  Ele não recebeu a sua inteligên...