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Às Moscas

O cara,
Com cara blasé, 
Com semblante spleen,
Fisionomia de desdém bem ensaiada
- com cara de cu, enfim -,
Ocupa o palco presente.
Sobem ao púlpito do sarau,
Suas roupas de dândi bem talhadas,
Seu cabelo sem fio fora de lugar
Seu tablet de última geração
- o novo poeta é um sujeito antenado ao seu tempo -,
E verbaliza sua poesia em pixels
Para o público ouvinte.
As palmas irrompem!,
Que é da natureza das moscas
Esfregarem as mãos de satisfação
Frente a um belo monte de merda.

Mas aí
Outro cara, o velho poeta,
Com cara de jornal de ontem amassado,
Com semblante azedo de balcão sujo de bar,
Fisionomia calejada pela sarjeta,
Toma sua vez ao palco.
Sobem à tribuna do sarau,
Sua camisa de gola e punhos puídos,
Sua juba em grisalha desordem,
Sua barba sem geometria,
Sua folha de caderno amarelada,
Ou de papel pardo de pão,
E vocifera sua poesia em garranchos azuis de caneta Bic
Para o público ouvinte.
De novo, as palmas irrompem!,
Em igual intensidade
E pelo mesmo motivo.

Comentários

  1. Você é o Cara! Excelência no pensar! Gosto da sua objetividade. Um santo da Palavra! Não erra o alvo! Muito bom!

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  2. Rárárá!!! Nada disso, Marcellão, eu nem conheço, ela é uma poetisa que se encantou pelos meus poemas, na verdade,nem sei de que cidade ou estado ela é.
    Você não esquece o creme rinse, hein?

    ResponderExcluir

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