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O Dia Do Corno

Hoje é comemorado o dia de uma das figuras mais emblemáticas do folclore nacional, o corno.
Mais que emblemática, fundamental, imprescindível a certos setores da cultura popular. Ao anedotário, obviamente, e, sobretudo, à nossa chamada MPB.
Não tem jeito. De Reginaldo Rossi a Chico Buarque, de Odair José a Tom Jobim e Vinícius de Moraes, todo mundo é corno na MPB. Não há como fugir. Há os cornos menos letrados e os mais refinados, mas a boa e velha peruca de touro, todo mundo já vestiu. Noventa e dois por cento da cancioneiro nacional tem sua origem no corno.
Dei uma pesquisadinha e parece que o dia do corno é oriundo do arquipélago de Açores, o Dia de Cornos, uma festa profana realizada em intenção a São Marcos. O evento consistia numa procissão que levava uma coroa com um chifre na ponta à igreja, coroa que, após receber a bênção, coroava todos os homens casados.
Após o coroação, o sacerdote recitava o Sermão dos Cornos :
"Pelo sinal Da Santa Cruzada, 
A capela dos cornos 
Está bem armada.
Êste dia de S. Marcos,
 Também tem o seu sermão, 
Que este dia para nós 
É dia de grande função.
Todo o homem que é casado 
E vive neste destêrro, 
De cornos anda pesado 
Sem ser bode nem bezerro.
Quantos nós podemos ver Q
ue vivem mui bem armados, 
Sem nunca o perceber.
Pobre irmãos! Coitados!
Não há maior irmandade 
Que a do corno retorcido, Que a falar a verdade 
Enfeita tanto marido.
Os cornos, estamos vendo, 
É uma praga geral, 
Que cada um vai roendo 
Conforme sente o seu mal.
Podemos assegurar 
Bem nos termos desta lei, 
Que ninguém pode afirmar 
Dessta água não beberei.
E assim desconfiados, 
Vamos passando a vida, 
Com mêdo de ser armados 
Dalguma ponta retorcida.
Nós os pobres humilhados 
Que nos tratamos de irmão, S
empre fomos mais poupados 
Neste mal de encornação.
Se os cornos flores abrissem 
Como na roseira as flores, 
Quantos jardins não teriam 
As testas dalguns senhores!
Quanto mais velha endurece 
A coroa da armadura, 
É fruta que não apodrece 
Nem cai de madura.
Nem é preciso dizê-lo, 
Em muita casa rua ou beco 
Quanta "dôr de cotovêlo" 
Se vai engulindo em sêco.
Há p'r'aí muito torrão 
P'ra riba, p'lo rol já feito, 
É casa sim casa não; 
P'ra baixo é tudo a eito.
Se alguém o corno apanhar "Meta a viola no saco", 
É ouvir ver e calar 
E nunca dar o cavaco".

Sensacional!
Mas deixando de lado a origem histórico-religiosa, hoje é o dia do amigo do Ricardão, do cara que compartilha a marmita, que divide a quentinha, que abre franquia da mulher, que terceiriza a assistência.
E é dele, Reginaldo Rossi, a canção-tema dessa data cívica. Coloco a letra abaixo em homenagem, e à guisa de parabéns, a todos os meus amigos. Aliás, Fernandão, Keler e Marcelo, faz tempo que nós não tomamos um bom porre pra comemorar.
O Dia do Corno
(Reginaldo Rossi)
-"Ninguém!
Nem homem nem mulher
Poderá esquecer o dia de hoje"

Hoje é o dia do corno
Foi bom te encontrar
Vamos tomar um bom porre
Prá comemorar
A mulher que você ama
Eu amo também
Pelo que eu sei
Ela já enganou mais de cem...

Até um galã de novela
Que dela gostou
Tornou-se um pobre coitado
Que ela arrasou
Contigo fez gato e sapato
Do teu coração
Comigo deixou-me de quatro
Me arrastando no chão...

Hoje é um dia prá gente
Jamais esquecer
Vamos unir nossas dores
Chorar e beber
Vamos tomar um bom porre
Prá comemorar
Hoje é o dia do corno
Foi bom te encontrar...

Mas homem adora mentir
E enganar a mulher
Homem adora trair
Mas a quer bem fiel
Então tem que levar o troco
Ele tem que pagar
Sofrendo! Chorando! E Bebendo!
Na mesa de um bar...

Hoje é um dia prá gente
Jamais esquecer
Vamos unir nossas dores
Chorar e beber
Vamos tomar um bom porre
Prá comemorar
Hoje é o dia do corno
Foi bom te encontrar...

Hoje é um dia prá gente
Jamais esquecer
Vamos unir nossas dores
Chorar e beber
Vamos tomar um bom porre
Prá comemorar...

Hoje é o dia do corno
Foi bom te encontrar...(3x)

-Prazer Bicho!
Muito Prazer!
Prazer Imenso!

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