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A Palavra Tem Poder

Por que nos parece que gritar um belo e sonoro palavrão - um puta que o pariu por exemplo - mitiga a dor de uma martelada no polegar? Ou daquela topada com o dedinho do pé no batente da porta, que insiste em se interpor em nosso caminho?
A resposta é simples : é porque a dor realmente é anestesiada sob a ação de um palavrão; não é psicológico (como nada o é, na verdade).
Pesquisadores da Universidade Keele, do Reino Unido, sob o comando de Richard Stevens, constataram que o nosso organismo libera endorfinas analgésicas ao proferirmos um palavrão. E quanto mais cabeludo o verbo, maior o efeito analgésico proporcionado.
Segundo eles, o xingamento provoca uma resposta emocional que coloca nosso organismo em alerta, como se submetido ao estresse de ter que correr ou lutar. Daí, as endorfinas.
Os voluntários do estudo mergulharam suas mãos em água gelada para testar sua resistência à dor causada pelo frio. Inicialmente, eles foram orientados a repetir uma palavra comum enquanto mantinham suas mãos na água. Quando a coisa começava a apertar, eles podiam gritar um palavrão à sua escolha. O resultado é que conseguiram manter suas mãos na água um pouco além do seu limite.
Mas há um porém. Como todo remédio, o palavrão só deve ser usado quando necessário. É como tomar antibiótico sem precisar : selecionamos as bactérias resistentes e na real necessidade do fármaco, ele não mais pode nos valer.
Os cientistas constataram que o uso indiscriminado do palavrão também torna nosso corpo mais "resistente" às suas ações terapêuticas. Entre os voluntários do estudo,  aqueles que não praticam o xingamento em seu dia-a-dia conseguiram, na média, manter as mãos na água gelada durante 45 segundos a mais que seu limite; os bocas-sujas habituais só suportaram 10 segundos adicionais.
O efeito analgésico do palavrão é quase cinco vezes maior nos bocas-santas que nos bocas-sujas. Ou seja, eu tô fudido. Só a morfina pode me salvar, caralho.
Além do efeito analgésico, e aí é observação minha, um bom palavrão também nos confere maiores força física e habilidades do que normalmente temos. Sei disso porque sou fraco e inábil para a maioria dos trabalhos manuais. Para realizá-los, quando não existe a menor chance de fugir deles, há tempos que uso o que eu chamo de "O Mantra do Cu".
É verdade. Tem lá aquele móvel pesadíssimo, quase um imóvel, um sofá, um armário, uma geladeira etc, que alguém resolve mudar de lugar e seleciona você para fazê-lo. Nessas horas, você tem que mostrar que é homem, que serve pra alguma coisa, e lá vai você. A gente empurra e nada, puxa e nada. Começamos a suar, a bufar, a peidar, e nada. Aí, reúna suas derradeiras forças e grite o mantra : cu, cu, cu. O móvel se move. Eu garanto. Mágica e milagrosamente, ele se move.
O Mantra do Cu serve também para aquelas situações em que você tenha que desempenhar uma tarefa de habilidades manuais, furar alguma parede, serrar alguma madeira, parafusar alguma peça, esses serviços de bricolagem em geral. E que eu detesto.
Ao entoarmos o "cu, cu, cu", tudo se ajusta. O parafuso corre melhor na bucha,  a tinta desliza e cobre com perfeição aquela parede que você tenta pintar há horas, a furadeira chega a achar petróleo na parede de sua sala.
Mesmo sem comprovação científica, eu recomendo : experimentem o poder do Mantra do Cu. E um cu, também.
Fonte : R7 Notícias

Comentários

  1. Esse eu não conhecia. Valeu pela dica, logo testarei.

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  2. ô, Marreta! Mais um grande texto, muito útil. vou começar a poupar palavrões para as horas úteis.

    essa pesquisa também explica o motivo pelo qual dar um xingão no engarrafamento alivia a tensão.

    aproveito pra te deixar um feliz natal!

    abração!

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  3. Sempre suspeitei...

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