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Decadence Avec Élegance

"E no final da madrugada, perambulando pelos bordéis
Decadence - é melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez"
Hoje em minha caminhada matinal rumo ao trabalho, veio-me à cabeça, nem sei porque, essa música do Lobão, da qual extraí o trecho acima e o título dessa postagem.
Nela, lá pelos idos de 1985, Lobão apregoava, em altos e desafinados berros, a mais que batida estética do "morrer jovem e belo", do brilhar intensamente e consumir-se de instantâneo, de viver em alta velocidade.
Alguns contemporâneos e amigos de Lobão tiveram tal fim. Primeiro foi Júlio Barroso, do Gang 90 e as Absurdetes, num voo soprado a LSD pela janela de um apartamento, Lobão compareceu ao seu funeral; depois, Cazuza, poetinha queima-rosca, Lobão marcou presença em seu velório; por fim, Renato Russo, poetaço queima-rosca, Lobão também foi prestar suas condolências em seu enterro.
Foi então que lhe veio o insight, o lampejo de que o próximo poderia muito bem ser ele, dada a parecença dos estilos de vida.
E Lobão tirou o pé do acelerador. Até porque estava na hora de viver calmamente às custas do dinheiro ganho em dizer que se devia viver desbragadamente.
Lobão não teve o mesmo fim. Não morreu jovem. Muito menos belo.
Infelizmente.
Hoje, o cara ainda está por aí, gordo, faces coradas, produzindo álbuns cada vez mais inexpressivos e no comando de um programinha da MTV, o Debate, onde, além de demonstrar sua total inabilidade como mediador, compartilha a sua sabedoria dos anos 80 com um público adolescente imbecil, mais imbecil que a geração de adolescentes da qual Lobão fez parte um dia, que, bem ou mal, tinham algo a dizer e o disseram muito bem, para a época.
Contudo o que disseram Lobão e seus amigos dos anos 80 não é atemporal, não é universal.
Lobão acha que sim. E continua com a mesma cantilena.
Lobão não percebe a própria decadência - processo natural e inevitável a tudo -, logo não consegue se portar com a devida e necessária elegância.
Lobão amarelou, fugiu do destino de "morrer jovem e belo" e abraçou o de se tornar uma triste caricatura.
O rock errou.
O Lobão errou.
Eu também errei. E pra caralho.
Mas - convenhamos - sou um velho decadente bem mais elegante.

** se quiserem ver e ouvir Lobão, ainda com os Ronaldos, no programa do Chacrinha, em "Decadence avec Élegance", é só dar uma clicadinha aqui, na minha Poderosa Marreta

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